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Animais em saúde humana: um futuro promissor

20 MAR 2018

Desengane-se quem pensa que as abordagens que incluem animais junto de populações fragilizadas são novas ou inovadoras. O seu percurso tem uma longa e sustentada história – seja com cães, cavalos ou outros animais. A variedade de práticas e de profissionais envolvidos é grande e, sobretudo, tem vindo a aumentar.

 

 

Apesar de muitas vantagens, alguns dissabores têm surgido: para uma grande vantagem há sempre uma grande desvantagem. À excepção dos cães de assistência, existe em Portugal e na grande maioria dos outros países, um vazio legal no que toca ao uso de animais em contexto de saúde humana. Existe uma parca regulação profissional, informação e formação por parte da população em geral e comunidade clínica. A comunidade científica em Portugal, nesta área, é ainda pouco representativa.

Felizmente este paradigma tem vindo a mudar, sobretudo ao longo dos últimos anos. Para isto têm contribuído os grupos profissionais que se juntam e promovem serviços com crescente rigor clínico.

Ainda assim, continua premente a regulamentação para que, assim, os serviços sejam entregues à população da forma mais justa e normalizada possível.

Este artigo, que é de opinião e quer-se generalista, pretende clarificar alguns conceitos que giram em torno do uso do animal em contexto de saúde humana.

 

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 “Chamar os bois pelos nomes”

 

A quantidade de termos nesta área é infindável. Aqui apresento um esquema que propõe uma organização dos termos à luz do que é dito por instituições e autores reconhecidos tais como a Pet Partners e o Professor Aubrey Fine, entre outros.

 

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Figura 1 — Organização da terminologia

 

O termo “Intervenções Assistidas por Animais” (IAA) é generalista e engloba qualquer utilização de um animal para promover a saúde humana, no sentido lato da palavra. Dentro dele cabem todos os outros que são definidos por eles mesmo e, sobretudo, têm suporte científico.

As Actividades Assistidas por Animais (AAA) pautam-se pelo proveito de benefícios educacionais, recreacionais e terapêuticos. Têm, como objectivo geral, a promoção da qualidade de vida. Devem ser conduzidas por profissionais treinados e competentes. Os seus conteúdos são, predominantemente, espontâneos.

As Terapias Assistidas por Animais (TAA) pressupõem intervenções baseadas em objectivos clínicos e contam com o animal como co-terapeuta. É conduzido por profissionais da saúde humana e baseia-se num plano de intervenção típico. Os resultados devem ser mensuráveis, à semelhança do que é feito em contexto clínico tradicional.

Ressalva-se que nenhuma das práticas tira mérito ou sequer rigor à outra.

Falar em animais significa falar em natureza e, com facilidade, compreende-se que são dois conceitos indissociáveis. A Terapia Baseada na Natureza é algo ainda pouco explorado mas que se lhe augura um grande futuro. Pensa-se então, na implementação dos processos clínicos tradicionais em contextos diferentes (eg. natureza, jardim, quinta) e através do recurso a materiais que são mais significativos para a pessoa com que o clínico trabalha.

Para além da formação do profissional, a formação do animal é também importante. A sua selecção é um processo rigoroso e criterioso que serve dois propósitos fundamentais: diminuir o risco para os intervenientes e aumentar a produtividade da actividade que está a ser feita.

 

 

Da pseudociência à evidência científica credível

 

O número de programas que implementam animais acompanha a quantidade de publicações científicas que tem vindo a surgir de forma galopante. Senão vejamos, rapidamente, os resultados que nos são devolvidos quando inserimos alguns termos no maior motor de pesquisa científica do mundo: a PubMed.

Usando os termos MeSH (termos que a PubMed usa para a organização dos artigos) mais associados à área e outros termos relacionados, somos capazes de tirar as conclusões do ultimo parágrafo. À data da redacção deste artigo foram identificadas 561 publicações que se distribuem como está representado no seguinte gráfico.

Se há uns anos havia predomínio de publicações pseudocientíficas, podemos agora aclamar com fervor que a qualidade da evidência científica é cada vez maior. Prova disso é a quantidade de estudos que têm vindo a usar, cada vez mais, alguns destes indicadores: amostras aleatórias e significativas, grupos de controlo, procedimentos bem definidos, uso de medidas objectivas.

Tudo indica que o número e a qualidade continuará a aumentar, o que nos dá enquanto profissionais, uma maior credibilidade e visibilidade face à comunidade em geral e aos nossos pares clínicos.

 

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Figura 2 — Evolução da publicação científica

 

Artigo da autoria de:

Pedro Melo Pestana, Terapeuta da Fala e Especialista em Desenvolvimento e Perturbações da Linguagem.

Coordenador Científico e Docente na Pós-graduação de Terapias Assistidas por Animais: Cães e Cavalos do Instituto CRIAP.

 

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