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Formação na Madeira

11 ABR 2017

Catarina Landolt, técnica de formação do Instituto CRIAP, esteve na Madeira a acompanhar a Pós-graduação em Proteção de Crianças e Jovens: entre o Risco e a Justiça, numa tentativa da nossa entidade formadora de levar o conhecimento científico além Atlântico.

 

O Diário de Notícias fez uma entrevista com a técnica, onde foram abordados algumas questões sobre as lacunas na formação que existem na Madeira. Veja aqui algumas das questões que foram abordadas neste artigo.

 

Catarina Landolt é licenciada em Psicologia e, praticamente desde que terminou a licenciatura, tem desenvolvido trabalho na área da formação. Desde Janeiro último, após passagens noutras empresas do ramo, é técnica de Formação na Instituto CRIAP, com sede no Porto. No início da sua carreira, há cerca de 10 anos, trabalhou durante cinco meses no Centro de Reabilitação Psicopedagógica da Sagrada Família, no Funchal.

 

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Catarina Landolt, Instituto CRIAP
Imagem original de Francisco José Cardoso (Diário de Notícias)

 

Acaba de ministrar um curso de pós-graduação para técnicos que trabalham com crianças e jovens em risco. Que balanço faz?

Como todas as pós-graduações que desenvolvemos, tivemos em atenção uma formação de carácter muito prático. Pretendemos que os nossos formandos saibam a teoria, mas saibam fazer, o que é muito importante.

 

Que lacunas identificou ou o que pode estar a falhar?

Centro-me sempre na área da ciências sociais, ao nível da psicologia, do serviço social, da intervenção em famílias muito problemáticas, a intervenção em contextos da saúde. Aliás, o curso de Mediação Familiar que iremos ministrar, em breve, versa sobre os múltiplos problemas existentes. Sabemos que há uma tentativa de desenvolver esta área social e, de facto, é cada vez mais importante que a Mediação Familiar assuma a sua importância, já que deparamo-nos com famílias em que os pais se vão divorciar, o que obriga a que seja crucial trabalhar a criança para que o impacto seja menor, mas também evitar que estes processos cheguem a nível judicial.

 

Há quem defenda que nestes casos envolvendo menores, é mais importante ter num tribunal de menores, não um juiz mas um psicólogo. Concorda?

Sim, sem dúvida nenhuma. Cada vez há mais essa necessidade, até porque os técnicos de serviços sociais ou os psicólogos têm uma componente maior de sensibilidade, sabem como conduzir uma entrevista a uma criança, sabem precisamente os pontos onde tocar. Um juiz às vezes está mais focado na parte legal, que também é o seu trabalho, mas se calhar com técnicos especializados na psicologia infantil conseguiremos que a criança fale de forma mais aberta, mais sincera, que se sinta mais à vontade num contexto onde é sempre muito complicado para elas.

 

Tendo em conta a experiência dos coordenadores científicos que preparam estas formações, o que na prática foi apreendido pelos formandos da recente formação e o que hoje em dia é possível fazer para proteger melhor as crianças e jovens?

Há muito por fazer ainda. Há muito caminho a percorrer. Nesta pós-graduação centramo-nos muito ao nível da violência nas crianças, que é uma prática recorrente nos últimos anos, tal como a violência doméstica, a violência no namoro, o bullying, o stalking, um conjunto de problemáticas que estão na base e sempre presentes nestas famílias e contextos familiares que são sinalizados pelas CPCJ’s. São temáticas às quais, quando falamos na protecção de crianças e jovens em risco, não podemos de forma alguma fugir. Trabalhamos também o papel do técnico nesta intervenção, o que é esperado deles, o que podem fazer, como podem acompanhar, como entrevistam uma criança, os seus pais, para onde deve sinalizar e encaminhar quando detecta determinado problema, sempre na vertente prática.

 

E como é que um cidadão comum pode detectar, intervir e denunciar estas situações?

O nosso papel enquanto cidadão comum é fundamental. O crime de violência doméstica é um crime público há relativamente pouco tempo, infelizmente. Portanto, é nosso dever, se temos alguma dúvida, se desconfiamos de alguma coisa, sempre procurar e denunciar às entidades competentes, as unidades policiais, e a partir daí é desencadeado todo o processo.

(…)

 

 

Ver artigo original

Fonte: Diário de Notícias

Autoria: Francisco José Cardoso, abril de 2017

 

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