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Intervenção Fonoaudiológica

17 JUN 2016

"Entende-se por deglutição a passagem do conteúdo oral para o estômago, estando programada em fases sucessivas: preparatória, oral, faríngea e esofágica."

Saiba mais sobre este fenómeno neste artigo científico de Clarissa Inaoka e Christiane Albuquerque.

 

Artigo

Efetividade da intervenção fonoaudiológica na progressão da alimentação via oral em pacientes com disfagia orofaríngea pós AVE por Clarissa Inaoka  e Christiane Albuquerque. 

 

Introdução

Entende-se por deglutição a passagem do conteúdo oral para o estômago, podendo se referir ao fluxo de bolo alimentar ou saliva. Está programada em fases sucessivas: preparatória, oral, faríngea e esofágica.

A desordem no processo de deglutição é chamada de disfagia, podendo ter como causa um problema mecânico ou neurológico. Clinicamente pode manifestar-se por meio de sintomas como desordem na mastigação, dificuldade em iniciar a deglutição, regurgitação nasal, controle de saliva diminuído, tosse e/ou engasgos nas refeições. É possível haver ainda desidratação, desnutrição, pneumonia e outros problemas pulmonares, que podem estar ligados a uma disfagia sem sintomas aparentes.

As doenças cerebrovasculares são consideradas a primeira causa de óbito no mundo e a segunda no Brasil, sendo responsável por inúmeras sequelas que produzem alto grau de incapacidade. Dentre elas tem-se a disfagia orofaríngea, que apresenta uma incidência que pode variar de 40% a 90%, constituindo-se, portanto, em uma manifestação comum do Acidente Vascular Encefálico (AVE).

O paciente disfágico, quando se encontra em ambiente hospitalar, necessita de atendimento de uma equipe multidisciplinar formada por fonoaudiólogo, médicos de diferentes especialidades, fisioterapeuta, nutricionista, enfermeiro, terapeuta ocupacional e psicólogo. Esta equipe prioriza minimizar precocemente os riscos de complicações e preparar para a reabilitação de sequelas. A intervenção fonoaudiológica precoce (vinte e quatro a quarenta e oito horas pós-evento e com o paciente clinicamente estável) em ambiente hospitalar visa à identificação rápida da disfagia e prevenção de complicações clínicas advindas da mesma, podendo reduzir o tempo de uso das vias alternativas de alimentação, o tempo de hospitalização, e contribuir para a melhora do quadro pulmonar. Há necessidade de se verificar qual via de alimentação e quais consistências alimentares o paciente com disfagia orofaríngea apresentará antes e depois da intervenção fonoaudiológica. 

É de suma importância a realização do gerenciamento de um Serviço de Fonoaudiologia por indicadores padronizados, favorecendo a análise do desempenho ao longo do tempo, frente à inclusão de novos processos ou tecnologias, e a comparação com outros Serviços julgados como referências no setor. Este gerenciamento contribui para que a eficácia e a eficiência dos programas de reabilitação sejam evidenciadas.

A efetividade da reabilitação em disfagia orofaríngea pode ser comprovada quando o paciente alimentar-se adequadamente por via oral. A fim de mensurar essa efetividade, pesquisas atuais procuram estabelecer escalas de controle funcional da deglutição, com critérios como: tempo de reabilitação comparado a seus efeitos funcionais, tipo de via de alimentação que o paciente iniciou a reabilitação e quais as mudanças durante o processo, aumento de volume ou mudança da consistência na ingestão oral, entre outros.

 

DISFAGIA OROFARÍNGEA NO ADULTO

 

Objetivo

Analisar a efetividade na progressão da alimentação via oral de pacientes com sintomas de disfagia, que sofreram acidente vascular encefálico prévio ou atual, internados em um hospital federal do Rio de Janeiro.
 

 
Métodos

Foi feito estudo retrospectivo do prontuário de 20 pacientes com acidente vascular encefálico, para os quais foi solicitada fonoterapia para disfagia. Para comparação do nível de ingestão oral de cada paciente, antes e depois da terapia, foi utilizada uma escala funcional.

Foram estudados os possíveis fatores de interferência na progressão na escala como: idade, intercorrências clínicas, tempo e incidência prévia do AVE. Os seguintes indicadores de resultado foram analisados: tempo para retirada de via alternativa de alimentação e tempo para reintrodução de alimentação via oral.

 

Resultados

Dos 20 pacientes, 15 apresentaram melhora na escala de ingestão oral após a fonoterapia. As intercorrências clínicas foram consideradas estatisticamente significantes para a não evolução da alimentação via oral. Os outros fatores analisados não demonstraram significância estatística, sugerindo não interferir na melhora ou piora do paciente. Foi possível reintroduzir alimentação via oral e retirar via alternativa de alimentação antes de 10 dias.
 

Conclusão

A fonoterapia é efetiva para melhorar a ingestão de alimentos por via oral nos pacientes com AVE e disfagia neurogênica, atendidos em ambiente hospitalar, salvo se apresentarem intercorrências clínicas e rebaixamento do nível de consciência durante o processo.

 

 

 Veja aqui o artigo na íntegra.

Autoria: Clarissa Inaoka  e Christiane Albuquerque

Fonte: www.scielo.br

 

A equipa que cria,
CRIAP

 

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Formação relacionada:

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OBJETIVOS ESPECÍFICOS

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