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Nova mosca dos cadáveres detectada em Portugal

18 AGO 2017

“Já tinha sido identificada na Península Ibérica. Agora voltou a ser encontrada em Itália. Faz parte dos primeiros insectos a colonizar os cadáveres. Só que é uma mosca que costuma viver na América do Sul e na Ásia. Como terá chegado à Europa?"

 

Consulte nesta publicação o excerto do artigo publicado no Público.

 

Uma espécie de mosca típica dos países tropicais e subtropicais tem estado a alimentar-se de cadáveres na Europa. Entre Dezembro de 2015 e Setembro de 2016, a Synthesiomyia nudiseta foi encontrada em cinco cadáveres na zona de Génova, no Noroeste de Itália. Esta mosca muito frequente na China e na América do Sul também já tinha sido detectada nos últimos anos em Nápoles (no Sul de Itália), Portugal e Espanha. Agora um artigo publicado por cientistas italianos na revista Forensic Science International pergunta: como é que ela chegou a Itália? Os autores concluem que veio da China através do comércio marítimo.

A Synthesiomyia nudiseta é um saprófago, ou seja, alimenta-se de matéria orgânica em decomposição, como cadáveres. Muitas vezes, é encontrada nos cadáveres humanos, sobretudo no interior das habitações, e em fase de larva ou até mesmo na fase de pupa (entre a larva e a fase adulta) (…)

Em Lisboa, a presença da Synthesiomyia nudiseta também já tinha sido detectada, como o refere um artigo científico de 2014 da investigadora Ana Farinha, agora no Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa. “Foi capturada em armadilhas de isco, na zona do Campo Grande, em Lisboa”, conta-nos, acrescentando que a espécie apenas foi encontrada no Verão. (…) 

Fotografia de Universidade de Huddersfield (Agosto de 2017)

 

DETERMINAR A ALTURA DA MORTE

A globalização, através do comércio, pode ser assim dos principais factores que contribuem para a dispersão dos insectos. Já o aumento das temperaturas do planeta pode estar a permitir a sua adaptação a novas geografias, tal como aconteceu na Península Ibérica. “Se os insectos tivessem chegado há 20 anos, poderiam ter morrido. Mas a temperatura média em Génova, como em toda a Europa, aumentou cerca de dois graus e é agora essa temperatura é boa para esta espécie”, disse Stefano Vanin, citado no comunicado.

Esta espécie de moscas tem importância nas ciências forenses: pode dar informações sobre o período temporal em que uma pessoa morreu. “O seu aparecimento ajuda na datação do intervalo de tempo pós-morte do cadáver onde é capturada”, explicou ao PÚBLICO Ana Farinha, que não fez parte do estudo na Forensic Science International. “É um colonizador primário, isto é, aparece na primeira onda de insectos que usa o cadáver para colocar ovos e/ou alimentar-se.”

Agora há mais para saber sobre estes novos visitantes, como refere o comunicado: “Os entomólogos forenses – que obtêm informações essenciais sobre a cena do crime, como a altura da morte através do estudo da infestação dos cadáveres humanos – precisam de aprender o máximo que conseguirem sobre este recém-chegado.”

Além disso, os cientistas alertam para a influência que esta mosca pode ter na saúde pública. “Esta espécie não tem qualquer competidor na Europa, por isso pode disseminar e aumentar o risco de transmissão de doenças”, explicou ainda Stefano Vanin, alertando para a necessidade de conhecer melhor a distribuição desta espécie no continente europeu. Stefano Vanin já prometeu continuar estes estudos.”

 

 

Veja aqui o artigo original

Fonte: Público Online

Autoria: Teresa Serafim, 8 de agosto de 2017

 

Formação relacionada no Instituto CRIAP:

Workshop em Entomologia Forense

Pós-Graduação em Ciências Forenses, Investigação Criminal e Comportamento Desviante

 

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