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Programa de televisão “Supernanny”

18 JAN 2018

Estreou, no passado domingo à noite, dia 14 de janeiro, o novo programa da SIC designado de “Supernanny”.

 

De acordo com o canal de televisão, trata-se de um programa, de formato internacional, que já passou por mais de 15 países, tais como o Reino Unido, Estados Unidos e Brasil.

 

Este programa centra-se na figura de uma ama “Supernanny” que, por cá, é desempenhada pela psicóloga Teresa Paula Marques. Esta pessoa tem o papel de ir ao encontro das famílias portuguesas “para ajudar a controlar a rebeldia dos filhos e dar respostas aos apelos de pais e educadores”.

 

Apesar de ser um programa de televisão ainda muito recente, não deixou de já ter criado uma grande onda de polémica a nível nacional.

 

As principais entidades nacionais que se relacionam com a psicologia e a defesa dos direitos das crianças já se pronunciaram.

 

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VAMOS AOS FACTOS:

 

Ordem dos Psicólogos (OPP)

A OPP deu um parecer negativo, já em março de 2016, relativamente a um pedido da produtora do programa “Supernanny”, por considerar que “a intervenção psicológica não deve ser associada a programas onde se exponham publicamente casos particulares”, uma vez que “o espaço público mediático não pode ser considerado como um ‘setting’ adequado para a intervenção psicológica” e acrescenta que “qualquer profissional de psicologia que intervenha neste contexto deve explicitar que não está a levar a cabo qualquer tipo de intervenção psicológica”.

Soube-se também que a OPP recebeu várias queixas sobre o programa de televisão da SIC que irão ser analisadas pelo seu Conselho Jurisdicional.

A OPP repudia a “prática da psicologia em programas de divulgação massiva, bem como a conivência do psicólogo na exposição pública das pessoas, nomeadamente pela participação em programas no formato de reality show”.

No que diz respeito às sanções que a psicóloga Teresa Paula Marques poderá incorrer, caso o processo não seja arquivado, estas poderão ir desde a “advertência”, “obrigação de prática profissional supervisionada até 12 meses”, “repreensão registada”, “suspensão até ao máximo de 24 meses” ou, até mesmo, “expulsão”.

 

Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ)

A CNPDPCJ considerou “existir um elevado risco” do programa “Supernanny” “violar os direitos das crianças”, “designadamente o direito à sua imagem, à reserva da sua vida privada e à sua intimidade”, sendo mesmo “manifestamente contrário ao superior interesse da criança, podendo produzir efeitos nefastos na sua personalidade, imediatos e a prazo”.

Também chegaram queixas até à CNPDPCJ e, por isso, houve não só a necessidade de manifestaram “junto da estação de televisão SIC, a sua preocupação face a este tipo de formato e conteúdos, solicitando uma intervenção com vista à salvaguarda do superior interesse da criança”, como também remeteram um pedido de análise do conteúdo do programa à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

A CNPDPCJ informa ainda que encaminhou para a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), com competência territorial, a situação concreta transmitida, no domingo, pela SIC para “avaliação e acompanhamento do caso”.

 

 

UNICEF

A Unicef Portugal também tomou uma posição sobre o programa, reforçando que “vai contra o interesse superior das crianças, violando alguns dos seus direitos, nomeadamente o direito da criança a ser protegida contra intromissão na sua vida privada” e apela ao Estado Português “para que tome as medidas necessárias para proteger a criança e o seu bem-estar”.

 

SIC

A estação televisiva argumenta, em comunicado, que o “Supernanny” teve sucesso noutros países, “onde os padrões de proteção dos direitos dos menores não se revelam menos exigentes do que os existentes em Portugal”. De acordo com a SIC, isso demonstra que o programa “não gera efeitos negativos ou de censura em ambiente escolar e social, antes contribuindo para uma melhoria significativa da qualidade de vida familiar”.

Defende ainda que o “Supernanny” é produzido e exibido respeitando a lei, com todas as autorizações necessárias, e com “um mero intuito pedagógico, não substituindo qualquer diagnóstico e/ou aconselhamento psicológico”.

 

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Print screen do primeiro episódio do programa "Supernanny" (www.sic.pt)

 

E na sua opinião, acha que este programa deve continuar ou ser suspenso?

 

Veja aqui o parecer, na integra, emitido pela OPP.

 

Fontes: Jornal de Notícias, Diário de Notícias, Público, SIC
Autoria: Ana Lopes (Instituto CRIAP)

 

 

 

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