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Suicídio: Falar ou não Falar?

22 ABR 2016

Podemos dar grandes passos no contributo para a redução das taxas de suicídio começando por aceitar as pessoas tal como elas são, acabando com os tabus sociais falando sobre as ideias de suicídio, e dizendo às pessoas que é legítimo equacionarem o suicídio quando se sentem no limite.

Só o facto de falarem sobre o que sentem ajuda a reduzir a sua angústia, começando a ver outras opções e reduzindo as probabilidades de tentativa de suicídio. (SPS)

 

Conheça neste artigo mitos e verdades sobre este tema tabu. 

 

 

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Suicídio é um  acto deliberadamente iniciado e protagonizado por um indivíduo que sabe ou espera ser fatal em que segundo Poldinger (1968) há:

-  1ª fase: “Deliberação” (ponderação como resposta possível para acabar com os problemas)

-  2ª fase: “Ambivalência” (agudizar do conflito viver-morrer, com pedidos de ajuda, explícitos ou subtis)

-  3ª fase: “Decisão” (por vezes seguida de uma serenidade, despedidas, dádivas, acto suicida)

 

Infelizmente, o suicídio encontra-se entre as 10 primeiras causas de morte, sendo que por cada suicídio ocorrem 11 tentativas sem sucesso, segundo a Oficina de Psicologia.

 

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Porque é que alguém pensa em por termo à vida?

 

Normalmente o suicídio é equacionado como forma de acabar com uma dor emocional insuportável causada por variadíssimos problemas. É frequentemente considerado como um grito de pedido de ajuda. Alguém que tenta o suicídio está tão aflito que é incapaz de ver que tem outras opções. Na maioria dos casos quem tenta o suicídio escolheria outra forma de solucionar os seus problemas se não se encontrasse numa tal angústia que o incapacita de avaliar as suas opções objectivamente. A maioria das pessoas dá sinais de esperança de serem salvas, porque a sua intenção é parar a sua dor e não por termo à sua vida. A este facto dá-se o nome de ambivalência.

Fonte: Sociedade Portuguesa de Suicidologia

 

Falar sobre suicídio encoraja o acto?

 

Tudo depende dos aspectos que se aborda na conversa. Falar sobre os sentimentos que cercam o suicídio pode levar ao entendimento e reduzir a angústia imediata de uma pessoa. Não é um erro perguntar-se a alguém se equaciona a ideia de suicídio como uma opção válida se suspeita que essa pessoa não está a conseguir lidar com o seu tormento. Se a pessoa o confessa, pode ser um grande alívio ver que outra pessoa tem uma ideia de como se sente. (SPS, 2016)

 

 

Falar ou não falar do tema?

 

Segundo um estudo sobre a mediatização da saúde, foi possível concluir que os jornais promovem "uma cobertura responsável" do suicídio, em linha com as recomendações da Direção-geral da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Segundo o estudo de Rita Araújo, nos jornais generalistas portugueses raramente são apresentados detalhes de suicídios.

A investigadora acrescenta que a análise permitiu concluir que os jornalistas portugueses estão a fazer "um bom trabalho", que há uma série de normas nacionais e internacionais sobre como os profissionais dos Media devem noticiar os suicídios em que evitam dar pormenores sobre o caso, revelar o método utilizado para cometer o suicídio e "evitar as generalizações".

"É muito importante perceber que a cobertura do suicídio em si mesma não promove comportamentos suicidas, mas a forma como a cobertura é feita pelos jornalistas pode promover", vincou  (RTP, 2016). Esta questão, dentro da temática dos comportamentos suicidários será abordada em pormenor num evento a realizar em Lisboa, a ser transmitido em direto, no próximo dia 30 de Abril, por representantes de vários órgãos de comunicação social portugueses, nomeadamente pelo Dr Pedro Proença (comentador televisivo na SIC e RTP) pela Dra Tânia Laranjo (Jornal Correio da Manhã).

 

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Presencialmente ou à distância (em direto/live streaming) contamos com a sua presença, nas II Jornadas de Investigação Criminal e Comportamentos Suicidários organizadas pelo Instituto CRIAP.

 

 

Alguns números acerca das características das pessoas que tendem a suicidar-se:

 

-  Mais frequente nos homens que nas mulheres.

-  Presença de problema psiquiátrico/psicológico em pelo menos, 93% dos casos.

-  Perturbação do humor (depressão, bipolaridade) ou alcoolismo em 57-86 % dos casos.

-  Doença terminal em 4-6% dos casos.

-  Cerca de 66% comunicaram a intenção suicida (40% de forma clara).

-  Cerca de 33% tiveram tentativas anteriores de suicídio.

-  Cerca de metade não tinham contactado técnicos de saúde mental.

-  90% tinham contactado serviços de saúde.

Fonte: Oficina de Psicologia

 

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Verdade ou Mentira?

 

Mito: Quando alguém sobrevive a uma tentativa de suicídio, está fora de perigo.

Realidade: Na verdade, a existência de tentativas prévias de suicídio é um factor de risco que aumenta a probabilidade da pessoa tornar a tentar suicidar-se.

 

Mito: O suicídio é hereditário.

Realidade: Não existem estudos com resultados claros, e de facto a existência de suicídios na família pode ser um factor de risco a considerar. No entanto, existem muitos outros factores que interferem na tomada de decisão, não sendo a hereditariedade o factor mais determinante.

 

Mito: A pessoa que fala em suicídio quer mesmo morrer e está decidida a matar-se, independentemente do que façamos.

Realidade: Quando alguém fala em suicídio, é importante reconhecer a dor da pessoa, porque ela está a pedir ajuda e podemos ainda estar a tempo de a ajudar de alguma forma.

 

 

 

 

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