Psicóloga, acompanha pessoas com experiências de realidade alterada ou não consensual, nomeadamente experiências de ouvir, ver, sentir ou crer coisas que outras pessoas não, estejam ou não enquadradas num diagnóstico de esquizofrenia, psicose ou outras condições de saúde mental. Em 2016, participou no lançamento do primeiro grupo de pessoas ouvidoras de vozes em Portugal. Desde então, tem-se dedicado à construção e divulgação do Movimento Ouvir Vozes, um movimento internacional de direitos humanos e justiça social que reconhece e valoriza as experiências e perspetivas de quem ouve, vê, sente ou crê coisas que outras pessoas não, considerando estas pessoas especialistas pela sua própria experiência.
Embora estas experiências não sejam necessariamente negativas e sejam mais comuns do que habitualmente se imagina, podem tornar-se profundamente perturbadoras, sobretudo quando a pessoa se sente isolada, julgada ou incompreendida. O acesso a espaços de escuta e apoio pode ajudar a atribuir sentido ao que está a acontecer, a compreender experiências difíceis de explicar e, acima de tudo, a sentir-se acompanhada ao longo desse processo.
É também coeditora do Mad in Portugal e colabora em diferentes iniciativas orientadas para a promoção de uma saúde mental crítica, baseada nos direitos humanos, centrada nas pessoas e liderada por quem possui experiência vivida.