Dia Mundial da Amamentação: benefícios do aleitamento materno para a mãe e para o bebé

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Dia Mundial da Amamentação: benefícios do aleitamento materno para a mãe e para o bebé

Conheça os benefícios do aleitamento materno para a mãe e para o bebé, as recomendações da OMS e os principais desafios da amamentação.

O aleitamento materno representa uma das formas mais completas de nutrir e proteger o bebé nos primeiros meses de vida. Para além de fornecer energia e nutrientes essenciais, o leite materno contém anticorpos, enzimas, hormonas e outros componentes biologicamente ativos que apoiam o desenvolvimento infantil e ajudam a proteger o bebé de diferentes doenças.
 
A amamentação também constitui um momento de proximidade física e emocional. O contacto pele com pele, a voz, o toque e a interação entre a mãe e o bebé podem contribuir para uma experiência de segurança e vinculação, embora seja importante reconhecer que o vínculo afetivo não depende exclusivamente da amamentação.
 

Aleitamento materno: muito mais do que alimentar

 
Cada experiência de maternidade e alimentação infantil é diferente. Algumas mulheres amamentam sem dificuldades significativas, enquanto outras enfrentam dor, problemas na pega, produção de leite aparentemente insuficiente, cansaço, condições de saúde ou falta de apoio. Em determinadas situações, a amamentação pode não ser possível, recomendada ou desejada.
 
Por isso, a promoção do aleitamento materno deve assentar em informação rigorosa, acompanhamento especializado e respeito pelas circunstâncias e decisões de cada família. Apoiar a amamentação não significa culpabilizar quem não amamenta, mas garantir que cada mulher dispõe das condições, dos conhecimentos e da ajuda necessários para tomar uma decisão informada.
 
 

Dia Mundial da Amamentação e Semana Mundial do Aleitamento Materno

 
A sensibilização internacional para a importância da amamentação ganha particular destaque durante a Semana Mundial do Aleitamento Materno, assinalada anualmente entre 1 e 7 de agosto.
 
Esta iniciativa é apoiada pela Organização Mundial da Saúde, pela UNICEF, por ministérios da saúde e por diferentes organizações da sociedade civil. O seu objetivo é promover ambientes que protejam, apoiem e facilitem a amamentação em casa, nos serviços de saúde, na comunidade e nos locais de trabalho.
 
Em 2018, a Assembleia Mundial da Saúde reconheceu formalmente a Semana Mundial do Aleitamento Materno como uma importante estratégia de promoção da saúde. A iniciativa procura mobilizar profissionais, famílias, instituições, entidades empregadoras e decisores políticos para a criação de condições que permitam às mulheres amamentar durante o período que desejarem.
 
Mais do que celebrar um comportamento individual, esta data reforça que a amamentação depende de uma responsabilidade coletiva. O acesso a acompanhamento qualificado, a proteção da maternidade, a existência de políticas laborais adequadas e o apoio familiar podem influenciar a iniciação e a duração do aleitamento materno.
 
 

O que é o aleitamento materno exclusivo?

 
O aleitamento materno exclusivo ocorre quando o bebé recebe apenas leite materno, sem outros alimentos ou líquidos, incluindo água, durante os primeiros seis meses de vida.
 
Existem exceções clínicas, como a administração de medicamentos, vitaminas ou sais de reidratação oral, quando recomendados por um profissional de saúde. Fora dessas situações, a amamentação exclusiva significa que o leite materno constitui a única fonte de alimentação e hidratação do bebé.
 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o leite materno consegue fornecer os alimentos e a água de que o bebé necessita durante os primeiros seis meses. Mesmo em períodos de maior calor, um bebé em aleitamento materno exclusivo não necessita, por norma, de água adicional.
 
A produção de leite funciona, em grande medida, segundo um mecanismo de oferta e procura. Quanto mais eficaz e frequente for a remoção do leite da mama, maior será o estímulo para a sua produção. Por essa razão, a observação da pega, da posição e da transferência de leite pode ser determinante quando existem dúvidas sobre a quantidade ingerida pelo bebé.
 

Recomendações da OMS e da UNICEF para a amamentação

 
 
• iniciar a amamentação durante a primeira hora após o nascimento, sempre que clinicamente possível;
• manter o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses;
• amamentar de acordo com os sinais de fome e as necessidades do bebé, durante o dia e a noite;
• introduzir alimentação complementar nutricionalmente adequada e segura a partir dos seis meses;
• continuar a amamentação até aos dois anos ou mais, de acordo com a vontade e as necessidades da mãe e da criança.
 
A alimentação complementar não substitui imediatamente o leite materno. Entre os 6 e os 12 meses, o leite materno pode continuar a fornecer uma parte significativa das necessidades energéticas e nutricionais da criança. A partir dos seis meses, deve ser associado progressivamente a alimentos variados, seguros e adequados à fase de desenvolvimento.
 
Estas recomendações constituem orientações gerais de saúde pública. A alimentação de cada bebé deve ser adaptada ao seu crescimento, desenvolvimento, contexto familiar e condição clínica, com acompanhamento de profissionais de saúde sempre que necessário.
 
 

Quantos bebés são amamentados exclusivamente?

 
Apesar dos benefícios reconhecidos, muitas mulheres não conseguem amamentar durante o tempo que inicialmente desejavam.
Os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde indicam que, em 2024, cerca de 48% dos bebés com menos de seis meses eram alimentados exclusivamente com leite materno. Este valor representa uma evolução relativamente a anos anteriores, mas permanece abaixo da meta global de 60% até 2030.
 
A diferença entre as recomendações e a realidade não deve ser interpretada apenas como resultado de decisões individuais. A duração do aleitamento materno pode ser influenciada por vários fatores, entre os quais:
 
• falta de acompanhamento durante a gravidez e o pós-parto;
• dificuldades na pega ou na transferência de leite;
• dor e lesões mamilares;
• separação entre a mãe e o bebé após o nascimento;
• regresso ao trabalho sem condições adequadas;
• ausência de apoio familiar;
• informação contraditória;
• práticas hospitalares pouco favoráveis à amamentação;
• problemas de saúde da mãe ou do bebé;
• pressão social e expectativas irrealistas.
 
Em 2025, a OMS e a UNICEF alertaram que apenas 48% dos bebés com menos de seis meses beneficiavam de amamentação exclusiva e defenderam um maior investimento nos sistemas de saúde, no aconselhamento especializado e no acompanhamento continuado das famílias.
 
 

A importância do acompanhamento especializado

 
Embora seja um processo fisiológico, a amamentação também envolve aprendizagem e adaptação. Nem sempre a mãe e o bebé conseguem estabelecer uma mamada eficaz sem apoio, sobretudo durante os primeiros dias após o nascimento.
O acompanhamento por enfermeiros, médicos, parteiras, nutricionistas e profissionais com formação específica em aleitamento materno pode ajudar a:
 
  1. observar a posição e a pega do bebé;
  2. avaliar a transferência de leite;
  3. identificar sinais de dificuldade;
  4. prevenir ou tratar fissuras e dor;
  5. esclarecer dúvidas sobre a produção de leite;
  6. acompanhar a evolução do peso do bebé;
  7. apoiar a extração e conservação do leite materno;
  8. definir estratégias para o regresso ao trabalho;
  9. promover decisões informadas e ajustadas a cada família.
 
A OMS recomenda que as mulheres tenham acesso a vários momentos de aconselhamento em amamentação, desde a gravidez até ao período pós-natal. Este apoio deve ser acessível, respeitador, baseado na evidência e adaptado às necessidades individuais.
 
O objetivo não deve ser impor uma determinada forma de alimentar o bebé, mas ajudar a mãe e a família a compreenderem as opções disponíveis, os potenciais benefícios, os desafios e os sinais que justificam uma avaliação clínica.
 
 

Benefícios do aleitamento materno para o bebé

 
Rico em ácidos gordos essenciais, proteínas de fácil digestão e açúcares que favorecem o desenvolvimento do microbioma intestinal, o leite materno é um alimento vivo. É uma ferramenta de programação metabólica que influencia a saúde a longo prazo.
Através do colostro - o “primeiro leite” - o recém-nascido recebe uma carga concentrada de imunoglobulinas, fortalecendo as suas defesas num período de extrema vulnerabilidade.
 
A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida e a sua continuação, juntamente com alimentação complementar adequada, até aos dois anos ou mais.
 

1. Desenvolvimento do sistema imunitário

O leite materno contém oligossacarídeos humanos (HMOs) que favorecem o desenvolvimento de uma microbiota intestinal saudável, desempenhando um papel importante na maturação do sistema imunitário.
 

2. Desenvolvimento cerebral

Os ácidos gordos essenciais e outros nutrientes presentes no leite materno contribuem para o desenvolvimento cerebral, cognitivo e neurológico do bebé.
 

3. Saúde intestinal

Os oligossacarídeos e as bactérias benéficas do leite materno favorecem o equilíbrio do microbioma intestinal e a maturação do sistema digestivo.
 

4. Menor risco de infeções

s anticorpos e componentes imunológicos presentes no leite materno ajudam a proteger o bebé contra infeções gastrointestinais, respiratórias e do ouvido.
 

5. Redução da obesidade infantil

O aleitamento materno está associado a um menor risco de excesso de peso e obesidade durante a infância, embora este resultado também seja influenciado por fatores genéticos, alimentares e ambientais.
 

6. Redução de riscos de doenças crónicas

A sucção do bebé desencadeia respostas hormonais que influenciam de forma positiva o metabolismo materno. Estes estímulos contribuem para regular o funcionamento do organismo e podem ajudar a reduzir a probabilidade de certas condições crónicas ao longo da vida.
 

7. Bem-estar emocional e vínculo afetivo

O contacto próximo e prolongado durante a amamentação liberta oxitocina, uma hormona que promove relaxamento e sensação de segurança. Este momento íntimo reforça a ligação entre mãe e filho, proporcionando conforto mútuo e ajudando a prevenir desequilíbrios emocionais no período pós-parto.
 

8. Desenvolvimento cognitivo

Estudos sugerem que crianças amamentadas apresentam, em média, melhor desempenho em testes de desenvolvimento cognitivo, embora estes resultados sejam influenciados por múltiplos fatores biológicos, sociais e ambientais.
 
 

Benefícios para a mãe

 

1. Recuperação pós-parto

A amamentação estimula a libertação de oxitocina, favorecendo a contração do útero, reduzindo a hemorragia pós-parto e contribuindo para uma recuperação fisiológica mais rápida.
 

2. Saúde cardiovascular

Estudos sugerem que mulheres que amamentam apresentam um menor risco de desenvolver hipertensão arterial, doença cardiovascular e acidente vascular cerebral ao longo da vida.
 

3. Redução do risco de cancro da mama

A duração da amamentação está associada a uma diminuição do risco de cancro da mama, sendo este um dos benefícios mais consistentes demonstrados pela evidência científica.
 

4. Redução do risco de cancro do ovário

O aleitamento materno também está associado a uma menor probabilidade de desenvolver cancro do ovário, sobretudo quando a amamentação se prolonga por vários meses.
 

5. Redução do risco de diabetes tipo 2

Amamentar pode contribuir para uma melhor regulação do metabolismo da glicose, estando associado a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2, particularmente em mulheres com diabetes gestacional.
 

6. Bem-estar psicológico

O contacto próximo com o bebé e a libertação de oxitocina durante a amamentação favorecem o relaxamento, fortalecem o vínculo afetivo e podem contribuir para uma melhor adaptação emocional no pós-parto.
 
 

Impacto na Saúde da Mulher

 
O ato de amamentar contribui para a saúde global da mulher, funcionando como um aliado natural na prevenção e equilíbrio do organismo. Favorece o restabelecimento fisiológico após o parto, ajudando o útero a regressar mais rapidamente ao seu tamanho original e apoiando o processo de recuperação física. É também um momento que estimula mecanismos internos capazes de proteger a saúde feminina a longo prazo, fortalecendo o bem-estar físico e emocional.
 
 

Os primeiros dias da amamentação

 
Os primeiros dias após o nascimento são determinantes para o estabelecimento do aleitamento materno. Nas primeiras 48 a 72 horas, a mãe produz colostro, o primeiro leite, uma substância espessa e amarelada, rica em anticorpos, fatores de crescimento, proteínas e células de defesa. Embora seja produzido em pequenas quantidades, o colostro é suficiente para responder às necessidades nutricionais do recém-nascido, contribuindo para o desenvolvimento do sistema imunitário, a maturação do intestino e a proteção contra infeções. À medida que as necessidades do bebé aumentam, ocorre a chamada "subida do leite", um processo fisiológico em que a produção de leite se torna mais abundante, habitualmente entre o segundo e o quinto dia após o parto.
 
Durante este período, recomenda-se que a amamentação seja feita em livre procura, ou seja, sempre que o bebé demonstre sinais precoces de fome, sem horários rígidos ou limitações na duração das mamadas. Esta abordagem favorece uma ingestão adequada de leite, estimula a produção materna através do mecanismo de oferta e procura e contribui para o estabelecimento de uma amamentação eficaz. O apoio de profissionais de saúde nos primeiros dias pode ser essencial para corrigir a pega, esclarecer dúvidas e prevenir dificuldades que possam comprometer a continuidade do aleitamento materno.
 
 

Quando a amamentação pode não ser possível

 
Embora o aleitamento materno seja recomendado pela Organização Mundial da Saúde como a melhor forma de alimentar o bebé nos primeiros meses de vida, nem sempre é possível ou aconselhável. Algumas mulheres enfrentam dificuldades que limitam ou impedem a amamentação, enquanto noutras situações existem contraindicações médicas temporárias ou permanentes. É importante lembrar que não conseguir amamentar não faz de uma mulher uma mãe menos capaz. Sempre que a amamentação não seja viável, existem alternativas seguras que garantem o crescimento e o desenvolvimento saudável do bebé, devendo cada situação ser acompanhada por profissionais de saúde.
 
As situações mais frequentes incluem:
 
Pouca produção de leite: embora a perceção de produção insuficiente seja comum, muitas vezes está relacionada com dificuldades na pega, na frequência das mamadas ou na transferência de leite, podendo beneficiar de acompanhamento especializado. 
Dor persistente ou complicações mamárias: fissuras, ingurgitamento mamário, mastite ou outras condições podem dificultar a amamentação e necessitar de avaliação clínica. 
Condições de saúde materna: algumas doenças ou tratamentos específicos, como determinados medicamentos incompatíveis com a amamentação, podem contraindicar temporária ou permanentemente o aleitamento materno. 
Condições clínicas do bebé: algumas situações, como determinadas doenças metabólicas raras (por exemplo, galactosemia clássica) ou outras condições clínicas específicas, podem impedir ou limitar o consumo de leite materno. 
Parto prematuro ou internamento neonatal: quando mãe e bebé permanecem separados, a amamentação direta pode ser mais difícil, sendo frequentemente necessário recorrer à extração de leite até que seja possível iniciar ou retomar a amamentação. 
Fatores emocionais ou psicológicos: experiências traumáticas, dificuldades de saúde mental ou elevado desgaste emocional podem influenciar a decisão ou a capacidade de amamentar, devendo a mãe receber apoio adequado e livre de julgamento. 
Regresso precoce ao trabalho: a falta de condições para extrair, conservar e administrar o leite materno pode dificultar a continuidade da amamentação, reforçando a importância de políticas de apoio à parentalidade e à conciliação entre a vida profissional e familiar. 
 
Importante: Se está a pensar "não consigo amamentar" ou acredita ter "pouca produção de leite", procure aconselhamento junto do seu médico, enfermeiro especialista em saúde materna ou consultor de lactação. Muitas dificuldades podem ser ultrapassadas com apoio atempado e baseado na evidência científica.
 
 

Mitos e verdades sobre a amamentação

 
A amamentação continua a estar rodeada de mitos que podem gerar dúvidas, ansiedade e até levar ao desmame precoce. Conhecer o que é sustentado pela evidência científica ajuda as famílias a tomar decisões mais informadas e a enfrentar os desafios com maior confiança.
 

Mito 1: "O meu leite é fraco."

Verdade: Não existe leite materno "fraco". O leite materno adapta a sua composição às necessidades do bebé ao longo da mamada e das diferentes fases do seu crescimento, fornecendo todos os nutrientes necessários durante os primeiros seis meses de vida.
 

Mito 2: "É normal sentir dores ao amamentar."

Verdade: Embora possa existir algum desconforto nos primeiros dias, a dor persistente não é considerada normal. Na maioria dos casos, está relacionada com uma pega incorreta ou outras dificuldades que podem ser corrigidas com apoio especializado.
 

Mito 3: "Tenho pouco leite."

Verdade: A perceção de produção insuficiente é uma das razões mais frequentes para interromper a amamentação, mas nem sempre corresponde à realidade. A produção de leite depende sobretudo da frequência e eficácia das mamadas, sendo muitas situações ultrapassáveis com orientação de um profissional de saúde ou consultor de lactação.
 
 

Desafios na Amamentação

 
A amamentação, apesar de ser um processo natural, pode trazer consigo diferentes desafios que exigem atenção e apoio. Estes obstáculos podem surgir logo no início ou desenvolver-se ao longo do tempo, afetando a experiência da mãe e a continuidade do aleitamento materno
 
Entre os mais frequentes destacam-se:
 
Pega incorreta do bebé, que pode causar dor, fissuras e dificultar a extração eficaz do leite.
Produção insuficiente de leite, gerando preocupação e insegurança na mãe.
Desconforto físico como ingurgitamento mamário, mastite ou dor persistente.
Pressão social e julgamentos externos, frequentemente baseados em mitos e informações erradas.
Regresso precoce ao trabalho sem condições adequadas para extrair, armazenar e oferecer o leite materno.
Falta de apoio familiar ou comunitário, tornando a mãe mais vulnerável ao cansaço e à desistência.
Barreiras culturais e falta de informação que dificultam o acesso a recursos de apoio e aconselhamento.
 
Reconhecer estes desafios é o primeiro passo para enfrentá-los. Com apoio técnico especializado, redes de suporte sólidas e um ambiente social que valorize o aleitamento materno, é possível ultrapassar grande parte destas dificuldades e garantir que a amamentação decorra de forma saudável e gratificante para mãe e bebé.
 

Quando procurar ajuda?

 
Embora a amamentação seja um processo natural, nem sempre acontece sem dificuldades. Nos primeiros dias e semanas é comum surgirem dúvidas ou pequenos desafios, mas alguns sinais podem indicar a necessidade de avaliação por um profissional de saúde.
 
Procurar ajuda precocemente permite identificar a causa do problema, aliviar o desconforto e aumentar as probabilidades de manter uma amamentação bem-sucedida.
 
Deve procurar apoio médico, de um enfermeiro especialista em saúde materna ou de um consultor de lactação se surgir alguma das seguintes situações:
 
Dor intensa durante a amamentação que não melhora após os primeiros dias. 
Fissuras persistentes ou sangramento nos mamilos, especialmente se dificultarem as mamadas. 
Febre, vermelhidão ou dor na mama, que podem ser sinais de mastite e necessitar de tratamento. 
Bebé com perda de peso significativa, dificuldade em ganhar peso ou sinais de desidratação. 
Poucas fraldas molhadas ou evacuações reduzidas, podendo indicar ingestão insuficiente de leite. 
Dificuldade persistente na pega ou sucção, impedindo uma mamada eficaz. 
Sensação de pouca produção de leite ou dúvidas sobre se o bebé está a alimentar-se adequadamente. 
 
A maioria destes desafios pode ser resolvida com acompanhamento atempado e baseado na evidência científica, evitando complicações e promovendo uma experiência de amamentação mais confortável para a mãe e para o bebé.
 

Amamentar é uma escolha, ser mãe é muito mais

 
Optar por não amamentar, seja por decisão própria ou por impossibilidade física ou médica, não torna uma mulher menos mãe. A maternidade é um conceito muito mais amplo do que a via escolhida para alimentar o bebé. 
 
Ser mãe é cuidar, proteger, estar presente, oferecer afeto e garantir que todas as necessidades da criança sejam atendidas com amor e responsabilidade.
 
Muitas vezes, as circunstâncias escapam ao controlo da mãe: problemas de saúde, uso de medicação incompatível, dificuldades na produção de leite, traumas físicos ou emocionais, ou simplesmente a constatação de que a amamentação não é viável para o seu contexto de vida. Nessas situações, a pressão social ou o julgamento externo apenas acrescentam um peso desnecessário, podendo gerar sentimentos de culpa e diminuir a autoestima materna.
 
O que realmente importa é que o bebé seja nutrido de forma segura e que cresça num ambiente de carinho e estabilidade. O vínculo afetivo não se constrói apenas ao peito, ele é fortalecido em cada olhar, cada toque, cada gesto de cuidado. Seja através do leite materno, do leite artificial ou de uma combinação de ambos, o amor e a dedicação permanecem como o verdadeiro alimento emocional que sustenta o desenvolvimento saudável da criança.
 
 

Parentalidade e Rede de Apoio

 
A amamentação não é responsabilidade exclusiva da mãe. Trata-se de um compromisso partilhado que se fortalece através da parentalidade consciente e do apoio alargado.
 
O parceiro, ao oferecer suporte emocional e assumir tarefas práticas como preparar o espaço de amamentação ou gerir responsabilidades domésticas, contribui para que a mãe viva este momento com serenidade. 
 
A presença da família alargada, quando respeitosa e encorajadora, cria um ambiente de segurança e acolhimento. 
 
Para além do círculo íntimo, o apoio da comunidade e de profissionais especializados, como consultores de lactação, enfermeiros e grupos de apoio, desempenha um papel decisivo, ajudando a ultrapassar desafios e reforçando a confiança necessária para manter o aleitamento materno de forma plena e gratificante.
 
Nesse sentido, a formação contínua destes profissionais é imprescindível para assegurar que o apoio prestado se baseia nas melhores práticas e evidências atualizadas, garantindo um acompanhamento competente, humanizado e adaptado às necessidades únicas de cada mãe e bebé.
 
 

A importância da formação especializada

 
A promoção e o apoio ao aleitamento materno exigem conhecimentos atualizados e competências específicas por parte dos profissionais de saúde e da intervenção familiar. A formação especializada permite compreender os aspetos fisiológicos, psicológicos e relacionais da gravidez, do pós-parto e da parentalidade, bem como desenvolver estratégias de acompanhamento baseadas na evidência científica. Para os profissionais que pretendem aprofundar estas competências, o Instituto CRIAP disponibiliza formações concebidas para capacitar os participantes a prestar um acompanhamento mais qualificado, seguro e centrado nas necessidades da mulher, do bebé e da família.
 
 

Especialização Avançada em Saúde da Mulher

 
Uma formação que aprofunda conhecimentos sobre a saúde da mulher na preconceção, gravidez e pós parto, com base numa abordagem integrativa e humanista. Capacita profissionais para avaliar sinais de saúde e stress, reconhecer situações que exigem encaminhamento, promover estratégias de bem estar físico, emocional e nutricional e apoiar a mulher e a família nesta fase única. Essencial para garantir cuidados seguros, humanizados e informados, prevenindo complicações e promovendo o empoderamento feminino.
 
 

Especialização Avançada em Psicologia da Gravidez e da Parentalidade

 
Esta especialização aprofunda o conhecimento psicológico sobre a gravidez e a transição para a parentalidade, desenvolvendo competências para avaliar, intervir e prevenir situações de vulnerabilidade emocional. Aborda alterações psicológicas normativas, desafios como gravidezes de risco, perdas gestacionais, infertilidade e prematuridade, bem como fatores que influenciam a relação mãe-bebé.
 
 

Curso Pós-Universitário em Práticas Avançadas de Promoção do Aleitamento Materno

 
Um curso que desenvolve competências avançadas para apoiar, proteger e promover o aleitamento materno, com base nas orientações mais recentes da OMS e UNICEF. Capacita profissionais para compreender os benefícios do leite materno, corrigir técnicas de amamentação, prevenir e resolver complicações, promover a saúde mental perinatal e implementar práticas institucionais favoráveis. Essencial para garantir um acompanhamento técnico e humanizado, prevenindo o desmame precoce e promovendo a saúde materno infantil.