Dia Mundial da Audição: prevenir a perda auditiva infantil e promover inclusão

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Dia Mundial da Audição: prevenir a perda auditiva infantil e promover inclusão

Celebre o Dia Mundial da Audição promovendo a prevenção da perda auditiva infantil, combatendo o audismo e garantindo inclusão e cuidados especializados desde cedo.

Dia 3 de março, assinala-se o Dia Mundial da Audição, uma iniciativa promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que coloca a saúde auditiva na agenda global da saúde pública. Esta data visa sensibilizar para a importância da audição ao longo do ciclo de vida, alertando para o impacto da perda auditiva e para a necessidade de investir em estratégias eficazes de prevenção.
 
Apesar dos avanços na área da audiologia, a perda auditiva continua a ser subdiagnosticada em muitos contextos, atrasando o acesso a avaliação especializada e a respostas adequadas. Paralelamente, persistem barreiras sociais e atitudes discriminatórias, incluindo manifestações de audismo, discriminação baseada na capacidade de ouvir, que condicionam a inclusão de pessoas surdas ou com dificuldades auditivas em contexto escolar, profissional e comunitário.
 
Reforçar a literacia em saúde auditiva significa promover a prevenção, incentivar a identificação precoce de sinais de alerta e garantir que crianças e adultos tenham acesso a acompanhamento técnico qualificado, reduzindo o impacto funcional, académico e social das dificuldades auditivas.
 
 

Do contexto comunitário à sala de aula: cuidar da audição desde a infância

 
No âmbito do Dia Mundial da Audição, a Organização Mundial da Saúde destaca este ano a importância de aproximar os cuidados de saúde auditiva dos contextos onde as crianças crescem, aprendem e se desenvolvem A intervenção deve ser promovida junto das famílias e estender-se às escolas, reconhecendo estes espaços como pontos estratégicos para promover a audição na infância.
 
 

Pontos-chave da OMS sobre audição infantil

 
A OMS destaca várias mensagens essenciais sobre a audição na infância e a prevenção da perda auditiva infantil:
 
• Prevalência: Estima-se que cerca de 90 milhões de crianças e jovens, entre os 5 e os 19 anos, vivam com perda auditiva em todo o mundo.
• Prevenção: Uma parte significativa da perda auditiva infantil poderia ser evitada através de medidas simples, eficazes e sustentáveis, como:
 
  • o acompanhamento adequado de infeções do ouvido;
  • melhoria das condições de saúde pública;
  • monitorização regular do desenvolvimento auditivo.
 
• Identificação precoce: O encaminhamento atempado para avaliação em audiologia permite reduzir impactos no desenvolvimento e na aprendizagem.
• Integração nos planos de saúde: Incorporar rastreios auditivos e programas de intervenção precoce nas escolas e nos cuidados infantis garante melhores resultados e acesso a apoios especializados.
 
 

Surdez infantil: causas, diagnóstico e intervenção

 
A perda auditiva infantil é uma condição relativamente frequente, que pode ser detetada tanto no seio da família como no contexto escolar. Na maioria dos casos, trata-se de uma situação transitória, facilmente resolvida com tratamento médico ou pequenas intervenções cirúrgicas. No entanto, existem formas mais graves, como a surdez neurossensorial de carácter definitivo, que exigem intervenção precoce e programas de apoio à aprendizagem e reabilitação cognitiva.
 
 

Tipos de surdez infantil

 
Podemos distinguir dois grandes grupos:
 
• Surdez congénita: presente ao nascimento, podendo ser hereditária ou resultante de fatores pré-natais ou peri-natais. Entre os casos hereditários, destacam-se:
 
  • Autossómica dominante: quando um dos progenitores com surdez transmite o gene dominante à criança em 50% das situações;
  •  Autossómica recessiva: ambos os pais transmitem um gene recessivo, com 25% de probabilidade de ocorrência;
  • Ligada ao X: a mãe carrega um gene recessivo no cromossoma X, manifestando-se apenas nos descendentes do sexo masculino.

 

• Surdez adquirida: surge após o nascimento e pode resultar de diferentes causas, incluindo:
 
  • infeções do ouvido médio;
  • fármacos ototóxicos;
  • meningite ou encefalite;
  • sarampo, varicela, papeira ou gripe;
  •  traumatismos cranianos;
  • exposição a ruído excessivo.
 
 

Sintomas e sinais de alerta

 
Na infância, a perda auditiva pode manifestar-se como atraso na aquisição da fala ou dificuldades na aprendizagem. Por exemplo, crianças pré-escolares devem começar a formar palavras entre os 15 e 18 meses; atrasos nesse marco podem indicar necessidade de avaliação especializada. A otite serosa é uma das causas mais frequentes de perda auditiva transitória entre os 2 e os 5 anos, podendo evoluir para otites crónicas mais complexas se não tratada.
 
 

Diagnóstico

 
O diagnóstico precoce é fundamental para minimizar impactos no desenvolvimento da linguagem, aprendizagem e aproveitamento escolar. Os exames de rastreio e diagnóstico mais utilizados incluem:
 
• Otoemissões acústicas – especialmente em recém-nascidos, rápidas, indolores e eficazes;
• Potenciais evocados auditivos (ERA);
• Timpanogramas e reflexos estapédicos;
• Audiogramas, adaptados à idade da criança.
 
 

Tratamento e intervenção

 
A intervenção depende da causa e da idade da criança. Em alguns casos, pode ser necessária cirurgia; noutras situações, recorre-se a equipamentos auditivos, como implantes cocleares ou implantes osteo-integrados, permitindo otimizar a audição e apoiar o desenvolvimento da criança.
 
 

Audismo: superar barreiras e promover inclusão na escola

 
O audismo é a discriminação ou preconceito dirigido a pessoas surdas ou com dificuldades auditivas, muitas vezes presente em atitudes sociais, culturais e institucionais que assumem a audição como condição necessária para participar plenamente na educação, no trabalho ou na vida comunitária. Combater o audismo é essencial para promover inclusão e igualdade de oportunidades.
 
A Associação Portuguesa de Surdos alerta para a persistência do audismo no contexto escolar, que se manifesta quando as escolas não adaptam métodos e estruturas às necessidades de crianças surdas ou com dificuldades auditivas. 
 
 
Entre os principais desafios destacam-se:
 
• Métodos de ensino pouco inclusivos: muitas escolas privilegiam abordagens orais, forçando crianças surdas a depender da leitura labial ou da oralização, mesmo com implante coclear.
 
• Turmas heterogéneas sem apoio: crianças surdas são frequentemente colocadas com alunos de diferentes idades ou com outras necessidades, dificultando a atenção individualizada.
 
• Barreiras de comunicação: a falta de professores com conhecimentos em Língua Gestual Portuguesa (LGP) torna a comunicação diária mais difícil, prejudicando o desenvolvimento académico.
 
• Acessibilidade no ensino superior limitada: muitas universidades não disponibilizam intérpretes de LGP, justificando-se com custos, o que restringe a participação plena de estudantes surdos.
 
 
Reduzir o audismo implica adaptar métodos pedagógicos, formar docentes e garantir recursos de acessibilidade, promovendo inclusão real e oportunidades iguais para todas as crianças.
 
 

Prevenção e cuidados contínuos em casa e na escola

 
Garantir uma boa saúde auditiva desde a infância passa por estratégias práticas que envolvem famílias, professores e escolas. Entre as medidas mais eficazes destacam-se:
 
• Rastreios auditivos regulares: identificação precoce de alterações na audição na infância para intervenção atempada.
 
• Vacinação: prevenção de infeções que podem causar perda auditiva infantil, como sarampo, meningite ou papeira.
 
• Hábitos de proteção auditiva: limitar exposição a ruídos intensos, usar protetores auditivos quando necessário e criar ambientes sonoros seguros.
 
• Acompanhamento pediátrico contínuo: monitorizar o desenvolvimento auditivo e linguístico, garantindo apoio em caso de alterações.
 
• Formação e sensibilização de professores: promover práticas pedagógicas inclusivas e comunicação acessível na escola.
 
 
Estas medidas simples, mas consistentes, permitem prevenir problemas de audição, detectar alterações precocemente e apoiar o desenvolvimento académico e social das crianças, reforçando a importância da prevenção e do cuidado contínuo.
 
 

Audiologistas: promover a saúde auditiva e o desenvolvimento infantil

 
Os profissionais de audiologia desempenham um papel central na promoção da saúde auditiva e na intervenção precoce da perda auditiva infantil. A sua atuação inclui:
 
• Rastreio e diagnóstico precoce: identificar alterações na audição na infância através de exames especializados, como audiogramas, timpanogramas e otoemissões acústicas.
 
• Reabilitação auditiva: orientar o uso de aparelhos auditivos, implantes cocleares ou outros recursos, ajustando-os às necessidades individuais da criança.
 
• Apoio à família e escola: fornecer informações e estratégias para incluir crianças surdas ou com perda auditiva de forma eficaz no dia a dia escolar e familiar.
 
• Formação contínua: manter-se atualizado sobre novas tecnologias, técnicas de avaliação e métodos pedagógicos inclusivos, garantindo respostas adequadas às diferentes necessidades.
 
 

Formação especializada: capacitar profissionais para cuidar da audição infantil

 
Investir em formação especializada e em equipas multidisciplinares, integrando  audiologistas e terapeutas da fala, permite melhorar a eficácia da intervenção, reduzir os impactos da perda auditiva e promover inclusão, prevenção e desenvolvimento pleno das crianças.
 
 

Curso Avançado em Processamento Auditivo Central

 
O Curso de Processamento Auditivo Central tem como objetivo capacitar profissionais na compreensão do processamento auditivo e da atividade neurobiológica do sistema nervoso auditivo central. Os participantes aprendem a identificar competências auditivas segundo as estações neurais, interpretar resultados de avaliações comportamentais e aplicar estratégias de intervenção em perturbações do processamento auditivo.
 
 

Curso em Perturbações da Audição: Linguagem e Fala na Surdez Infantil

 
O Curso em Perturbações da Audição: Linguagem e Fala na Surdez Infantil visa capacitar profissionais para atuar na audição na infância e na intervenção em crianças com perda auditiva infantil. Os participantes aprendem sobre os diferentes tipos e graus de surdez, tecnologias auditivas atuais, métodos de avaliação das competências auditivas e modelos de intervenção baseados em evidência.