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A problemática da Dislexia e Disortografia

13 DEZ 2017

A prevalência da Dislexia em Portugal aponta para uma percentagem de 5,4% das crianças em idade escolar (i.e., aproximadamente uma criança em cada 20), sendo frequente observar-se uma relação comórbida entre a Dislexia e a Perturbação de Hiperatividade / Défice de Atenção (PHDA). Estudos de neuroimagiologia funcional têm permitido identificar as áreas do córtex cerebral (áreas do lobo temporal, parietal e occipital do hemisfério esquerdo) que se encontram comprometidas nos indivíduos com Dislexia durante atividades de leitura.

  

A Dislexia e a Disortografia são dificuldades de aprendizagem específicas de origem neurobiológica. No Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5) da Associação Americana de Psiquiatria são designadas de Perturbação da Aprendizagem Específica e encontram-se dentro das Perturbações do Neurodesenvolvimento.

Estas dificuldades de aprendizagem específicas distinguem-se dos problemas de aprendizagem mais gerais em vários domínios, nomeadamente: (1) existência de uma discrepância significativa entre o funcionamento intelectual da criança (que deverá ser normal) e o seu desempenho nos processos leitores/ortográficos; (2) a etiologia radica em alterações funcionais do sistema nervoso central; (3) as dificuldades ocorrem especificamente nos processos de leitura e da expressão escrita; (4) têm uma natureza relativamente crónica; (5) não são melhor explicadas por outras situações/condições individuais ou ambientais; entre outros.

  

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A Dislexia caracteriza-se por dificuldades acentuadas no reconhecimento preciso de palavras, uma fluência leitora significativamente abaixo do esperado para a idade, lacunas na análise compreensiva da informação lida, uma reduzida precisão ortográfica (escreve com muito erros ortográficos), dificuldade na estruturação das ideias durante a composição de textos, entre outros. Estas dificuldades na leitura/escrita estão associadas a limitações nas habilidades de descodificação fonológica e de processamento lexical. Apesar das crianças com Dislexia apresentarem um funcionamento intelectual normativo, do ponto de vista neurocognitivo tendem a evidenciar um desempenho deficitário no processamento fonológico (consciência fonológica, nomeação rápida e memória verbal imediata), na memória de trabalho (nas componentes verbal e executiva) e em algumas funções executivas. Existe ampla evidência científica que confere ao processamento fonológico o estatuto de principal referência explicativa das dificuldades de aprendizagem da leitura e escrita. A consciência fonológica e a nomeação rápida constituem-se como as variáveis com maior sensibilidade no diagnóstico da Dislexia e com maior valor preditivo do desenvolvimento da leitura e escrita nos diversos sistemas linguísticos (Português, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Alemão, Holandês, Finlandês, entre outros).

A prevalência da Dislexia em Portugal aponta para uma percentagem de 5,4% das crianças em idade escolar (i.e., aproximadamente uma criança em cada 20), sendo frequente observar-se uma relação comórbida entre a Dislexia e a Perturbação de Hiperatividade / Défice de Atenção (PHDA). Estudos de neuroimagiologia funcional têm permitido identificar as áreas do córtex cerebral (áreas do lobo temporal, parietal e occipital do hemisfério esquerdo) que se encontram comprometidas nos indivíduos com Dislexia durante atividades de leitura.

A Disortografia afeta as aptidões da escrita, em particular a correção ortográfica, a estruturação frásica, a morfossintaxe e a caligrafia. Em termos ortográficos observa-se uma grande dificuldade nos processos de conversão fonema-grafema, que se traduzem num conjunto alargado de erros ortográficos na diversa tipologia de palavras (inserção, omissão, inversão, substituição de letras e sílabas). Ao nível da estrutura frásica caracteriza-se por uma dificuldade em executar os processos cognitivos subjacentes à composição de textos, como são os de geração de conteúdo (dificuldades em organizar e expressar os seus pensamentos/conhecimentos segundo regras gramaticais, dificuldades na utilização de um vocabulário mais diversificado), os sintáticos e a planificação do texto. A caligrafia pode ser irregular, pouco homogénea, rasurada, com letras pouco diferenciadas e desproporcionais. A Disortografia é bastante mais rara que a Dislexia. As crianças com Disortografia, apesar de apresentarem um funcionamento intelectual e uma capacidade leitora normativas, evidenciam um conjunto significativo de défices na capacidade para compor textos escritos, erros gramaticais ou de pontuação na elaboração das frases, organização pobre dos parágrafos, múltiplos erros de ortografia e uma caligrafia deficitária.

   

Octávio Moura, especialista nas áreas da Dislexia, Dificuldades de Aprendizagem e PHDA.

Coordenador Científico da Pós-graduação em Intervenção Psicopedagógica em Contexto Escolar.

Coordenador Científico da Pós-graduação em Neuropsicologia Educacional.

   

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