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Dia Internacional da Sensibilização sobre Overdoses: impacto das adições em jovens e adultos
Dia Internacional da Sensibilização sobre Overdoses: conheça o impacto das adições em jovens e adultos, as consequências clínicas, psicológicas e sociais e a importância da prevenção e da formação especializada para reduzir riscos e salvar vidas.
O Dia Internacional da Sensibilização sobre Overdoses nasceu para dar voz à memória de quem perdeu a vida por consumo excessivo de substâncias e para apoiar as famílias que vivem com esta dor. Além da homenagem, este dia surge também como apelo à reflexão e à ação em torno de um problema que continua a desafiar a saúde pública em todo o mundo.
As overdoses representam a face mais dura das dependências. São mortes evitáveis, que sobrecarregam os sistemas de saúde e deixam marcas profundas nas comunidades. Falar sobre elas é, por isso, um passo essencial para reduzir estigmas, reforçar a prevenção e criar respostas mais humanas.
Em escala mundial, as overdoses têm vindo a aumentar, impulsionadas sobretudo pela crise dos opioides nos Estados Unidos, mas também pela disseminação de novas substâncias psicoativas em vários países. Heroína, fentanil, benzodiazepinas e álcool permanecem entre as causas mais frequentes, revelando a complexidade da crise.
Em Portugal, apesar da política de descriminalização ter reduzido a criminalidade associada ao consumo, os desafios mantêm-se. De acordo com os Relatórios Nacionais referentes a 2023, dos 387 óbitos com presença de substâncias ilícitas registados pelo INMLCF, 80 corresponderam a overdoses (21%), um aumento de 16% face a 2022 e os valores mais altos desde 2009. Destaca-se a presença de cocaína em 65% dos casos, de opiáceos em 36% e de metadona igualmente em 36%, confirmando a tendência crescente do impacto da cocaína desde 2017. No mesmo ano, 24 246 pessoas estiveram em tratamento por problemas relacionados com drogas, verificando-se ainda um aumento de 19% nos internamentos em Unidades de Desabituação.
No domínio do álcool, a situação permanece preocupante. Apesar da diminuição de mortes por intoxicação alcoólica em 2023, agravaram-se indicadores como a idade de início dos consumos, a prevalência de embriaguez severa e os padrões de risco elevado, sendo que a dependência quase quadruplicou na última década. Entre os jovens de 18 anos, registou-se uma descida no consumo recente, mas os valores de embriaguez severa nos últimos dois anos foram os mais altos desde 2015.
Quando comparado com outros países europeus, Portugal continua a apresentar taxas relativamente baixas de consumo recente de canábis, cocaína e ecstasy, mas enfrenta o mesmo desafio: reforçar a prevenção precoce, formar profissionais qualificados e adaptar-se às novas realidades do consumo.
As adições químicas, como as provocadas por drogas ilícitas, medicamentos e álcool, continuam a ser as mais letais, pela sua capacidade de provocar overdoses imediatas e danos irreversíveis no organismo.
As adições comportamentais, como o jogo patológico, a compulsão por compras ou o uso excessivo das tecnologias, embora não provoquem overdose química, fragilizam o equilíbrio psicológico e social, podendo agravar situações de vulnerabilidade e desencadear comportamentos de risco.
Importa ainda destacar que muitas vezes estes dois tipos de adição coexistem. A interação entre dependências químicas e comportamentais potencia a vulnerabilidade e dificulta a recuperação, exigindo abordagens de intervenção integradas.
A adolescência é uma fase particularmente crítica. A curiosidade natural, a impulsividade, a pressão dos pares e a vontade de experimentar novas experiências aumentam significativamente o risco de contacto com substâncias e comportamentos aditivos.
Nos jovens, a combinação de fatores emocionais e sociais pode acelerar a progressão para padrões de consumo problemáticos. Já nos adultos, o consumo tende a ser prolongado e associado a fatores como stress laboral, dificuldades financeiras ou comorbilidades psiquiátricas, intensificando o risco de dependência crónica e de overdose.
As diferenças no impacto psicossocial também são notórias. Enquanto nos jovens a dependência pode comprometer o desenvolvimento académico e social, nos adultos tende a agravar o isolamento, o desemprego e as dificuldades familiares.
A nível clínico, a overdose conduz a falência orgânica. O sistema respiratório, cardiovascular e neurológico entra em colapso, e a morte pode ocorrer em minutos sem intervenção médica adequada.
Para os sobreviventes, permanecem as consequências emocionais. Depressão, ansiedade e o trauma do episódio são frequentes, muitas vezes seguidos de recaídas que perpetuam o ciclo da dependência.
As famílias sofrem o peso do estigma, da impotência e da fragmentação. As comunidades, por sua vez, ressentem-se com a perda de capital humano, a sobrecarga dos serviços sociais e os custos económicos resultantes da diminuição da produtividade e do aumento das despesas em saúde.
A prevenção das overdoses exige um conjunto de estratégias articuladas que vão desde a educação até à resposta clínica imediata. Entre as mais relevantes destacam-se:
A luta contra as overdoses e toxicodependências exige uma estratégia coletiva, multidisciplinar e sustentada. Profissionais preparados são a resposta para uma intervenção que salva vidas e previne o aparecimento de novos casos.
A especialização e a formação contínua permitem atualizar práticas, reciclar conhecimentos e responder a novos desafios trazidos pelas mudanças no perfil de consumo.
O Instituto CRIAP disponibiliza um conjunto de cursos concebidos para dar resposta a estas necessidades emergentes. Entre as ofertas formativas disponíveis, destacam-se:
Esta Especialização aprofunda o diagnóstico, avaliação e intervenção em dependências químicas e comportamentais. Combina enquadramento teórico atualizado com prática aplicada, incidindo em substâncias como álcool, tabaco, psicofármacos e novas drogas, bem como em adições como jogo, internet ou compras. É uma formação multidisciplinar que capacita profissionais para responder a contextos clínicos e sociais complexos.
O Curso capacita profissionais para avaliar, diagnosticar e intervir em consumos problemáticos e dependências na adolescência. A formação aborda fatores de risco, comorbilidades, estratégias terapêuticas baseadas em TCC, terapia familiar e abordagens psicossociais. Destaca a importância de planos individualizados, da prevenção de recaídas e do trabalho multidisciplinar com jovens, famílias e comunidades.
Este Curso capacita profissionais para intervir eficazmente na prevenção e tratamento do tabagismo, a principal causa evitável de morte em Portugal. A formação integra fundamentos epidemiológicos, perfis de fumador e protocolos clínicos e farmacológicos, preparando os formandos para organizar consultas especializadas e desenvolver ações de promoção da cessação tabágica em contextos hospitalares e comunitários.
O Curso prepara profissionais para avaliar, diagnosticar e intervir em consumos de risco e dependência de álcool, uma das perturbações mais prevalentes em Portugal. A formação integra abordagem bio-psico-social, rastreio precoce, estratégias terapêuticas farmacológicas e psicológicas, bem como prevenção da recaída, capacitando para uma intervenção eficaz junto de diferentes populações e contextos clínicos.
Investir hoje na formação e na intervenção é investir em vidas salvas, em famílias preservadas e em comunidades mais resilientes.