O Dia Internacional do Gamer, celebrado a dia 29 de agosto, representa o reconhecimento de uma comunidade global que encontrou nos videojogos uma forma de lazer, expressão e até de carreira. Ao mesmo tempo, esta data deve servir para refletir sobre os impactos que os jogos têm na vida das pessoas, desde os benefícios até aos riscos de dependência e problemas de saúde mental.
O impacto dos jogos online no dia-a-dia
Os
jogos online já não são apenas uma forma de passar o tempo. Tornaram-se um espaço de socialização e de criação de comunidades. Através deles, pessoas de diferentes países e culturas comunicam, colaboram e competem.
No entanto, quando o tempo de jogo não é controlado, pode interferir com a vida real. O trabalho, escola, relações familiares e até a saúde física podem ser afetados se o equilíbrio for perdido.
Saúde mental e jogos: benefícios e riscos
Os videojogos fazem parte da vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Para alguns, representam momentos de lazer e descontração, para outros, são um espaço de competição, socialização ou até de profissão.
No entanto, a relação entre o jogo e a
saúde mental não é linear. Pode trazer ganhos significativos, mas também riscos sérios quando o uso se torna excessivo ou descontrolado. Conhecer estes dois lados é fundamental para promover um equilíbrio saudável.
Benefícios dos videojogos para a saúde mental
• Estimulação cognitiva: favorecem a memória, a atenção e o raciocínio lógico.
• Melhoria da concentração: jogos que exigem foco aumentam a capacidade de manter a atenção em tarefas prolongadas.
• Resolução de problemas: incentivam o pensamento estratégico e a criatividade ao enfrentar desafios.
• Redução do
stress: funcionam como válvula de escape, ajudando a relaxar e aliviar tensões do dia a dia.
• Apoio social: possibilitam criar amizades em comunidades virtuais, reduzindo o isolamento.
• Aumento da autoestima: conquistas no jogo reforçam a sensação de competência e autoconfiança.
• Utilização terapêutica: em contextos clínicos, alguns jogos são usados na reabilitação cognitiva ou motora.
Riscos do uso excessivo dos videojogos
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Ansiedade e irritabilidade: surge frustração quando não é possível jogar ou quando o desempenho não corresponde às expectativas.
• Isolamento social: o contacto com família e amigos diminui quando o jogo ocupa todo o tempo livre.
•
Depressão: o uso compulsivo pode intensificar sentimentos de tristeza e falta de motivação.
• Alterações no
sono: jogar até tarde afeta os ritmos biológicos e prejudica a qualidade do descanso.
• Sedentarismo e saúde física: longos períodos sentado favorecem dores posturais, excesso de peso e fadiga.
• Queda no rendimento académico ou profissional: compromissos importantes podem ser negligenciados.
Sinais de alerta de uma relação problemática com os videojogos
É importante identificar sinais precoces que indicam um problema:
• Queda no rendimento escolar ou profissional.
• Irritabilidade quando não é possível jogar.
• Isolamento de amigos e familiares.
• Alterações do sono e da alimentação.
• Desinteresse por outras atividades.
Quando estes comportamentos se tornam frequentes e intensos, podem ser sinais claros de dependência.
Dedicação ou dependência?
Passar horas a jogar não significa, por si só, que exista um problema. Muitos gamers dedicam tempo a treinar, competir ou simplesmente a explorar novos mundos virtuais, de forma equilibrada. A dedicação, neste caso, é acompanhada por disciplina: há pausas, há espaço para a escola, o trabalho, a família e outras atividades. O jogo é uma parte importante da vida, mas não ocupa o lugar de tudo o resto.
A dependência, por outro lado, instala-se quando o jogo deixa de ser uma escolha consciente e se transforma numa necessidade. O jogador sente perda de controlo, dedica cada vez mais tempo ao jogo e continua mesmo quando isso traz consequências negativas. A vida social enfraquece, o rendimento escolar ou profissional cai e a saúde mental e física começa a ser afetada.
A diferença entre dedicação e
dependência não está apenas no número de horas, mas sobretudo no impacto. Jogar quatro horas num dia pode ser saudável se o jogador mantiver uma rotina equilibrada. Mas jogar duas horas diariamente pode ser problemático se significar isolamento, ansiedade ou abandono de responsabilidades.
Reconhecer esta linha ténue é fundamental. Enquanto a dedicação pode impulsionar competências, criatividade e até carreiras, a dependência pode aprisionar e limitar o futuro. A chave está em perceber se o jogo acrescenta ou retira qualidade à vida do jogador.
O papel das famílias e das escolas na prevenção
A prevenção da dependência de videojogos começa em casa e continua na escola. Famílias e instituições de ensino têm um papel decisivo na forma como os jovens aprendem a relacionar-se com o mundo digital.
No ambiente familiar, o diálogo aberto é essencial. Conversar sobre os jogos, compreender os interesses dos filhos e estabelecer regras claras de tempo de utilização ajudam a criar uma relação equilibrada. O exemplo dos pais também conta: mostrar hábitos saudáveis de uso da tecnologia é uma forma eficaz de educar pelo comportamento. Além disso, incentivar atividades alternativas, amplia horizontes e reduz a probabilidade de que o jogo se torne a única fonte de prazer e motivação.
Na escola, a literacia digital deve ser integrada na formação dos alunos. Não basta ensinar a usar ferramentas tecnológicas; é fundamental abordar os riscos associados ao uso excessivo, promovendo a consciência crítica. Professores atentos conseguem identificar sinais de alerta e podem intervir cedo, em articulação com famílias e profissionais de saúde.
Família e escola, juntas, funcionam como os dois principais pilares de prevenção. Quando trabalham em conjunto, criam um ambiente onde o jogo pode ser vivido de forma saudável, como espaço de diversão e aprendizagem, e não como porta de entrada para a dependência.
Iniciativas de jogo responsável
A ideia de jogo responsável deve estar presente também nos videojogos, como já acontece noutras áreas, como o consumo de álcool ou o jogo de apostas. Algumas empresas já criaram alertas de tempo de jogo, limites de gastos e mensagens de sensibilização. Apesar disso, estas medidas ainda são pouco aplicadas e divulgadas, ficando muito aquém das necessidades reais.
Intervenções clínicas e apoio especializado
Quando a relação com os videojogos deixa de ser saudável e evolui para um padrão de dependência, é necessário recorrer a ajuda especializada. A intervenção clínica assume um papel central, não só no tratamento da adição ao jogo, mas também na prevenção do agravamento das consequências associadas, como ansiedade, depressão ou isolamento social.
A primeira etapa é uma avaliação detalhada. O profissional procura compreender a frequência do jogo, os contextos em que ocorre e o impacto na vida pessoal, escolar, profissional e familiar. Esta análise permite distinguir entre uma dedicação intensa e uma dependência clínica, definindo o grau de intervenção necessário.
As abordagens terapêuticas mais comuns incluem a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda o jogador a reconhecer padrões de pensamento disfuncionais, a desenvolver autocontrolo e a substituir o jogo por atividades mais equilibradas. Estratégias de gestão do tempo, treino de competências sociais e reforço da motivação fazem parte deste processo.
Em muitos casos, o acompanhamento familiar é indispensável. Envolver pais ou parceiros ajuda a criar um ambiente de suporte e a estabelecer limites práticos no quotidiano. A
terapia familiar pode ainda melhorar a comunicação e reduzir conflitos relacionados com o uso excessivo dos videojogos.
Para situações mais graves, pode ser necessária a combinação de
psicoterapia com apoio farmacológico, especialmente quando a dependência está associada a depressão, ansiedade ou perturbações do sono. Este tratamento deve ser cuidadosamente supervisionado por um médico especialista.
Além do apoio clínico, surgem cada vez mais programas comunitários e grupos de ajuda mútua, que permitem aos jogadores partilhar experiências, encontrar estratégias conjuntas e sentir que não estão sozinhos no processo de recuperação.
O sucesso da intervenção depende de restabelecer o equilíbrio. Jogar pode continuar a ser uma fonte de prazer, desde que vivido de forma consciente, responsável e integrada numa rotina saudável.
A necessidade de profissionais especializados
A expansão dos videojogos trouxe novas oportunidades, mas também novos riscos. Para os profissionais da saúde, da educação e das ciências sociais, este é um campo onde a procura cresce rapidamente e onde a especialização se torna não apenas relevante, mas indispensável.
Os jovens e adultos que procuram ajuda chegam frequentemente com quadros complexos, onde o jogo excessivo se mistura com ansiedade, depressão, dificuldades escolares ou conflitos familiares. Sem conhecimentos específicos, torna-se difícil para um psicólogo, educador ou técnico de intervenção compreender a raiz do problema e propor estratégias eficazes.
Especializar-se neste domínio é, portanto, mais do que uma oportunidade profissional. É uma necessidade social.
Trata-se de um campo em expansão, que requer sensibilidade clínica, literacia digital e capacidade de dialogar tanto com os jogadores como com as suas famílias.
Para responder a este desafio, as formações especializadas em Adições Químicas e Comportamentais e em Jogo Online disponibilizam aos profissionais as ferramentas práticas e o conhecimento científico indispensáveis para intervir com rigor e eficácia, preparando-os para lidar com uma das problemáticas emergentes mais relevantes da atualidade.
Especialização Avançada em Adições Químicas e Comportamentais
A
especialização em Adições Químicas e Comportamentais prepara profissionais para avaliar, diagnosticar e intervir em casos de dependência de substâncias e em adições comportamentais. A formação desenvolve competências para reconhecer sinais de alerta, compreender o impacto das adições e aplicar estratégias eficazes de encaminhamento e tratamento.
Curso em Intervenção em Perturbação de Jogo Online
O
Curso de Intervenção em Perturbação de Jogo Online capacita profissionais para compreender o perfil, contexto e evolução deste tipo de dependência, abordando prevenção, intervenção e tratamento. Os participantes aprendem a reconhecer diferentes perfis de dependentes, aplicar modelos de intervenção adequados e responder com eficácia aos desafios terapêuticos associados ao jogo online.