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Vítor Cotovio sobre a “Baleia Azul”

5 MAI 2017

No passado dia 28 de abril de 2017, o Dr. Vítor Cotovio, formador do Instituto CRIAP e coordenador científico da Pós-graduação em Reabilitação Psicossocial em Saúde Mental, participou numa reportagem da TVI sobre o fenómeno da "Baleia Azul".

 

Leia aqui um excerto desta reportagem da autoria da jornalista Manuela Micael:

 

 

O fenómeno nasceu na Rússia, na rede social Vkontakte. Mas rapidamente se espalhou entre os adolescentes de todo o mundo e passou a preocupar os pais. O jogo “Baleia Azul” é uma espécie do “jogo do suicídio”, com meandros preocupantes: os adolescentes que aderem ao jogo são submetidos, por um “curador”, a uma lista de tarefas que são atentatórias da sua integridade física e emocional (e, em muitos casos, também de outras pessoas).

"São desafios à coragem de cada um dos jovens que adere ao grupo”, resume a jornalista Paula Oliveira, diretora editorial da Media Capital Digital e chefe de redação da TVI.

Quando completa determinada tarefa, o adolescente deve enviar um comprovativo ao curador, que lhe atribui novo desafio. A lista de tarefas culmina no suicídio do participante.

Há quem diga que o nome do jogo é uma referência às baleias que aparecem com frequência mortas nas praias, acreditando-se que tenham cometido suicídio. Mas há quem também atribua o batismo do jogo a uma canção da banda russa Lumen, cuja letra faz referência a "uma grande baleia azul", que "não consegue romper a rede".

A verdade é que, uma vez integrados no desafio, "se eventualmente o jovem não faz o que lhe é imposto, está sujeito a uma jogo manipulatório que ele não mais controla", como alerta o psiquiatra Vítor Cotovio.

 

 

“Não devemos diabolizar as redes sociais, mas não nos devemos demitir daquilo que é a supervisão em relação ao que se passa nas redes sociais. Quando digo exigência de supervisão é supervisão institucional, mas também supervisão dos próprios educadores”, sublinha o psiquiatra Vítor Cotovio, em declarações à TVI.

 

 

SAIBA COMO MONITORIZAR AS REDES SOCIAIS DOS SEUS FILHOS

-  É importante que o seu filho partilhe consigo as passwords e os dados de registo nas contas que possui nas redes sociais, para que possa aceder, com regularidade, ao perfil do adolescente. É igualmente importante que tenha acesso ao computador e ao telemóvel do seu filho. (...)

-  Monitorize os grupos de que o seu filho faz parte nas redes sociais. Além das mais populares, como o Facebook e o Twitter, não se esqueça do Whatsapp e o do YouTube.  
Consulte, com regularidade, a atividade dos seus filhos em redes como o Facebook, o Twitter e o Instagram. (...)

-  Certifique-se quem são os “amigos” dos seus filhos nas redes sociais. Verifique quem ele segue e quem o segue a ele.

-  Consulte, com regularidade, o histórico de pesquisas do seu filho em motores de busca como o Google.

 

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Veja aqui a reportagem da TVI com o Dr. Vítor Cotovio

 

SINAIS DE ALERTA

O psiquiatra Vítor Cotovio lembra que o cérebro dos jovens só está completamente desenvolvido, capaz de reconhecer completamente os riscos e fugir deles, por volta dos 22 anos. O papel dos adultos que rodeiam os jovens e os adolescentes é, por isso e até essa altura, fundamental.

“Ninguém cresce sem limites e sem regras. Ninguém cresce sem a palavra não e nós não nos podemos demitir disso”, diz Vítor Cotovio.

O psiquiatra diz que, se “por outro lado, as redes sociais são muito importantes no processo de conhecimento de aquisição de outras competências”, elas podem tornar-se um problema quando adquirem um papel demasiado importante na vida do jovem. É, pois, fundamental estar atento a sinais de alerta.

“Primeiro, é preciso perceber se, em casa, nós temos um filho que está mais vulnerável. Pode estar numa fase em que está mais isolado, em que o comportamento se alterou nos últimos tempos, em que a comunicação se alterou, em que mudou de pares, em que os pares não são os mesmos, em que deixou de ter a tal rede de amigos saudável”, exemplifica Vítor Cotovio.

“Estes jogos entram naquele espaço que, do impulso à ação, é automático. Daí o risco aumentar muito.”

 

OS CUIDADOS NA ABORDAGEM

Vítor Cotovio sublinha que é tão importante abordar o assunto como ter cuidados redobrados ao fazê-lo, até para evitar efeitos de contágio junto de indivíduos mais vulneráveis. “Não nos devemos de demitir de falar com os nossos filhos ou com os filhos dos outros sobre este assunto. Claro que se pede que se tenha alguma sensatez e serenidade a falar, mesmo a nível da Comunicação social, porque é um tema muito sensível”, pede.

O especialista acrescenta ainda um alerta sobre as redes sociais, que vai muito além da problemática levantada por este jogo:

“É fácil nas redes sociais nós fazermos de conta. Verdadeiramente não integramos emoções, não as sentimos, não sentimos o outro, não olhamos olhos nos olhos.“

 

 

Ver artigo original

Fonte: TVI24

Autoria: Manuela Micael (28-04-2017)

 

 

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