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Simplicidade e Competência: serão parentes?

16 FEV 2018

Um dos esforços de que não abdico no exercício da minha atividade profissional, qualquer que seja o contexto, é o de reduzir as coisas ao seu estado mais simples.

 

Para além das vantagens óbvias de alargar a margem de compreensão disponível, empurra-me a trabalhar as ideias, os conceitos e as abordagens no intuito de quem quer que com eles seja confrontado esteja na posse de todos os ingredientes para deles se apropriar. Esta posição, além de estimulante e otimista, no sentido realista de otimista…, encaixa numa premissa, trazida a público por uma corrente ligada à aprendizagem(1), que ainda é olhada de revés por muitos e que, confesso, me encantou e continua a incentivar-me com toda a força…e que dizia: qualquer um pode aprender o que quer que seja…desde que com a forma adequada! 

 

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A assunção desta ideia, para além de abrir feridas de suscetibilidade e provocar reações de desconfiança primárias, não deixa de entrar em choque com uma cultura que nos foi moldando e amolecendo, a começar pela cultura escolar onde esteve sempre mais presente a ideia da separação e exclusão do que a da integração produtiva. Expressões de execução sumária, vindas de vários lados, como “não tem capacidade”, “não dá na escola” ou “não é inteligente” constituíram vereditos de tal maneira contundentes que, num ápice, passaram a indiscutíveis. E tal tendência estaria hoje com uma consistência assinalável e até inabalável…, não fosse o extenso rosário de estrondosos contra exemplos que a história regista e… nos faz engolir em seco.

Subscrever a ideia de que qualquer um pode aprender o que quer que seja… desde que com a forma adequada!… permite a entrada em campo de um novo ângulo de visão, agora enfatizando a segunda parte da premissa, colocando a tónica e, por consequência, a possibilidade e a responsabilidade da reversão do processo, naqueles que até aqui se permitiam ficar apenas na posição de chegada. E é neste ponto que ganha particular pertinência o título  deste texto, apontando para a importância de um novo movimento que nivele, ajuste e proporcione pontes suscetíveis de gerarem os resultados que, afinal, é possível conseguir. A busca e a prática do simples!

É curioso que SIMPLES é uma palavra que começa por SIM! A possibilidade de, numa qualquer abordagem, numa qualquer explicação ou na explicitação de uma qualquer ideia… pormos o outro natural e automaticamente a dizer que…"SIM"…, é o grande negócio da simplicidade. E esta possibilidade, é tempo de lhe darmos o nome a que tem direito, é uma competência! Isto apesar de contrariar e ir contra algumas ideias instaladas e até preconceitos reinantes.

 

Ainda recentemente lia uma frase de um autor de referência que dizia que a simplicidade aflige tanto a um intelectual como a um agricultor a seca!

 

Alguém dizia que só pode aspirar a ser simples quem é competente! De facto, resistências e preconceitos à parte, levar o outro a apropriar-se daquilo que não lhe era, até ao momento, inteligível é obra só ao alcance de quem pauta o seu comportamento e desempenho pelos seguintes critérios:

1.  Só domino algum conceito quando sou capaz de o utilizar fora do contexto em que ele apareceu;

2.  Só domino algum conceito quando sou capaz de o evidenciar através de variados exemplos que nada tenham a ver com o seu habitat natural;

3.  Só consegui ser simples quando fiz com que o outro fosse capaz de lidar autonomamente com aquilo que não estava ao seu alcance.

 

Quanto ao parentesco…, à pergunta que ficou em título, não me atrevo a dar uma resposta. Prefiro emoldurá-la numa pergunta:

Poderemos aspirar a ouvir o som das palmas…contando apenas com uma só mão?

 

(1) andragogia

 

Autoria do artigo:  João Leite, psicólogo especialista nas áreas da andragogia, comunicação e liderança.

 

Docente do Instituto CRIAP nas seguintes formações:

Pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos

Curso Prático em Gestão e Liderança

Workshop em Liderança

 

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