O Dia Escolar da Não Violência e da Paz como ponto de partida para o combate ao bullying

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O Dia Escolar da Não Violência e da Paz como ponto de partida para o combate ao bullying

Neste Dia Escolar da Não Violência e da Paz reflita sobre bullying, cyberbullying e violência escolar e descubra a importância da formação para um ambiente seguro e saudável.

O Dia Escolar da Não Violência e da Paz é mais do que uma data simbólica no calendário educativo. É um convite à reflexão sobre a forma como as escolas lidam com a violência escolar, o bullying e o cyberbullying, fenómenos que continuam a afetar milhares de crianças e jovens em Portugal.

 

Num contexto onde o ambiente deveria ser sinónimo de segurança, respeito e aprendizagem, a presença de comportamentos violentos compromete não só o desenvolvimento escolar, mas também o bem-estar emocional e social dos alunos.

 

Falar de não violência em contexto educativo implica reconhecer que a escola desempenha um papel central na educação para a cidadania, para a empatia e para a resolução saudável de conflitos. Ignorar estas realidades pode contribuir para ciclos de exclusão, sofrimento psicológico e, em casos mais graves, para situações de criminalidade juvenil.

 

 

O que é o Dia Escolar da Não Violência e da Paz

 

O Dia Escolar da Não Violência e da Paz assinala-se anualmente a 30 de janeiro e tem como objetivo promover valores como a tolerância, o respeito, a empatia e a convivência pacífica no contexto educativo.

 

Esta data, instituída pela UNESCO no dia da morte do pacifista indiano Mahatma Gandhi, nasceu da necessidade de reforçar o papel da escola enquanto espaço privilegiado de educação para a cidadania e para os direitos humanos, indo muito além da transmissão de conhecimentos.

 

Celebrar este dia significa reconhecer os conflitos existentes em ambiente escolar e trabalhar ativamente na sua prevenção. A violência escolar, o bullying e o cyberbullying são realidades presentes em muitas escolas e exigem respostas educativas consistentes, sustentadas e contínuas.

 

 

Violência escolar: um problema estrutural

 

A violência escolar não deve ser encarada como um conjunto de episódios isolados ou excecionais, mas sim como um problema estrutural que reflete fragilidades no ambiente escolar e na sociedade em geral.

 

A normalização de comportamentos agressivos, a falta de competências socioemocionais e a ausência de respostas consistentes contribuem para a perpetuação de situações de violência que afetam alunos, professores e restantes profissionais da educação. Este fenómeno compromete o direito a uma educação segura e de qualidade, impactando diretamente o bem-estar psicológico e o percurso escolar de crianças e jovens.

 

Quando não é reconhecida e enfrentada de forma sistemática, a violência em contexto escolar pode reforçar dinâmicas de exclusão, desigualdade e risco social. A ausência de intervenção precoce aumenta a probabilidade de escalada dos comportamentos agressivos, podendo estar associada a trajetórias de criminalidade juvenil.

 

Assumir a violência escolar como um problema estrutural é essencial para desenvolver estratégias eficazes de prevenção, baseadas na educação, no apoio psicológico e na construção de um ambiente escolar mais seguro, inclusivo e saudável.

 

 

Violência escolar em Portugal: mais de 2 mil ocorrências registadas em 2024/2025

 

A violência escolar em Portugal continua a ser uma preocupação, segundo os dados da PSP para o ano letivo 2024/2025:

 

Ocorrências e crimes:

  • 2.791 ocorrências criminais registadas.
  • Total de 3.257 crimes – uma mesma ocorrência pode envolver vários ilícitos.
  • 2.092 crimes no interior do recinto escolar.
  •  

Tipos de crime mais frequentes:

  • Ofensas corporais
  • Ameaças
  • Injúrias

 

Estes números mostram que a violência escolar é um problema persistente, reforçando a necessidade de prevenção e de um ambiente escolar seguro para todos os alunos.

 

 

Bullying em contexto escolar: formas e consequências

 

O bullying em contexto escolar é uma forma de violência continuada que envolve comportamentos intencionais de intimidação, humilhação ou exclusão, geralmente marcados por um desequilíbrio de poder entre quem agride e quem é vítima.

 

Pode manifestar-se de diferentes formas, como:

  • Agressões físicas;
  • Insultos;
  • Provocações repetidas;
  • Disseminação de rumores;
  • Isolamento social.

 

Estas situações tendem a ocorrer de forma persistente no ambiente escolar, muitas vezes longe do olhar de adultos, o que dificulta a sua identificação e intervenção.

 

As consequências vão além do impacto imediato, e podem ser sentidas a nível psicológico tanto nas vítimas como nos agressores:

 

Vítimas:

  • Mal-estar, ansiedade, baixa autoestima e isolamento;
  • Queda no rendimento escolar e perceção da escola como insegura;
  • Risco de comportamentos autolesivos em casos graves.

 

Agressores:

  • Baixa empatia, impulsividade;
  • Reprodução de comportamentos agressivos;
  • Maior probabilidade de envolvimento em delinquência e criminalidade juvenil.

 

 

Cyberbullying: quando a violência ultrapassa os muros da escola

 

O cyberbullying é uma forma de violência escolar que ocorre através de meios digitais, como redes sociais, mensagens ou plataformas de jogo.

 

Este não se limita ao horário ou espaço escolar, podendo atingir as vítimas a qualquer momento, o que aumenta o impacto emocional e a sensação de vulnerabilidade.

 

Entre os sinais mais comuns estão:

  • Mensagens ofensivas;
  • Difusão de rumores;
  • Partilha não autorizada de imagens;
  • Exclusão digital de grupos de colegas.

 

 

A importância de um ambiente escolar seguro e inclusivo

 

Um ambiente escolar seguro e inclusivo é fundamental para prevenir comportamentos violentos e a indisciplina.

Quando os alunos se sentem protegidos e respeitados, aumentam o bem-estar emocional, a motivação para aprender e a capacidade de construir relações saudáveis com colegas e professores.

A promoção de um clima positivo passa pela educação positiva para promover a empatia, pela intervenção precoce em situações de conflito e pelo envolvimento de toda a comunidade educativa.

Espaços seguros permitem que os jovens desenvolvam competências sociais e emocionais essenciais, reduzindo riscos de isolamento, agressividade e, em casos extremos, de envolvimento em criminalidade juvenil.

 

 

Educação para a não violência: prevenir começa na formação

 

No Instituto CRIAP, temos formações e webinários destinados a apoiar professores, educadores e famílias a desenvolver competências essenciais para a educação para a não violência.

Ensinar a identificar emoções, lidar com a frustração e resolver conflitos sem agressão ajuda os alunos a construir relações mais respeitosas e seguras no ambiente escolar.

 

 

Especialização Avançada em Educação Especial e Inclusiva

 

A Especialização Avançada em Educação Especial e Inclusiva visa capacitar profissionais para apoiar crianças e jovens em idade escolar, garantindo o acesso e a participação plena em contextos educativos. Promove também o desenvolvimento técnico, científico e pessoal dos formandos, fortalecendo competências para interagir com a sociedade de forma inclusiva.

 

 

Curso em Educar pela Positiva

 

O Curso Educar pela Positiva tem como objetivo capacitar profissionais para aplicar práticas educativas positivas, criando ambientes escolares que promovam o desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças. Os participantes aprendem a refletir sobre métodos educativos, distinguir a disciplina positiva de abordagens tradicionais, gerir conflitos e integrar conhecimentos sobre o desenvolvimento infantil no planeamento educativo.

 

 

Webinário: Bullying e Cyberbullying: Conhecer, Prevenir e Agir

 

O webinário “Bullying e Cyberbullying: Conhecer, Prevenir e Agir” visa sensibilizar para a prevenção e combate ao bullying e cyberbullying, ajudando a reconhecer sinais de violência e promovendo a educação para a empatia, respeito e segurança. Destina-se a todos os que convivem com jovens, reforçando a responsabilidade coletiva na criação de ambientes seguros dentro e fora da escola e das redes sociais.