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16
set

2026
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O recurso a metáforas na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT)

A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT - Acceptance and Commitment Therapy) é considerada uma Terapia Cognitivo-Comportamentais (TCC) de 3ª geração, diferenciando-se pelo seu carácter experiencial e prático. Em vez de se basear apenas na lógica argumentativa, esta abordagem convida os pacientes a envolverem-se em práticas que transformam a forma como se relacionam com os seus pensamentos e emoções. Um dos recursos mais potentes para este efeito é o uso de metáforas. As metáforas podem ser consideradas como o próprio instrumento de trabalho do psicoterapeuta para promover mudança no comportamento do paciente. A ACT tem como base a Teoria das Molduras Relacionais (RFT - Relational Frame Theory), que explica como os seres humanos dão significado às palavras através das relações contextuais aprendidas. Esta capacidade permite-nos criar linguagem complexa, mas também nos condiciona perante padrões de sofrimento baseados na linguagem. Na TCC recorre-se a metáforas para ajudar a transformar conceitos abstratos (como as distorções cognitivas) em concretos e recordáveis. As metáforas ajudam a romper os padrões referidos porque: (1) afastam o paciente do conteúdo literal da linguagem; (2) criam um espaço de observação e reflexão; (3) facilitam o acesso a processos como aceitação, desfusão e valores; (4) conectam a experiência emocional com imagens vivas e memoráveis; (5) tornam conceitos técnicos acessíveis (especialmente com crianças e populações com baixa escolaridade); (6) podem servir como uma ferramenta de validação da vivência do paciente e como uma forma indireta de propor novas soluções para suas questões clínicas e da vida quotidiana. O recurso a metáforas é um dos diferenciais mais marcantes da ACT e da TCC. Mais do que adereços linguísticos, são portas de entrada para a experiência emocional, facilitadoras de mudança e catalisadoras de insight. Ao dominar as metáforas clássicas e adaptá-las aos seus próprios pacientes, o psicoterapeuta cria um ambiente terapêutico mais vivo, acessível e transformador. E, essencialmente, pode ajudar o paciente a perspetivar o seu sofrimento: com mais compaixão, clareza e coragem para viver uma vida orientada por valores. 
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